A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 09/09/2021

A constituição federal do brasil, instaurada em 1988, reconhece aos cidadões brasileiros o direito à cultura. No entanto, no que tange ao panorama da democratização do acesso à cultura, percebe-se que muitas pessoas não gozam totalmente de tal direito. A partir desse viés, é válido analisar como as desigualdades sociais contribuem para essa realidade, também é importante discutir como a falta de acesso à cultura no Brasil colabora para a manutenção do estigma de dominação da massa.

Em primeira análise, é imperioso entender como as diferenças sociais, presentes na realidade brasileira fazem parte do problema. Segundo o pensamento do filósofo chinês Confúcio, a cultura está acima da diferença da condição social. Nesse sentido, é evidente que o Brasil, por ser um país em desenvolvimento, apresenta grande número de pessoas na linha da pobreza. Consequentemente, para essa significante parte da população, o acesso às produções culturais se torna inviável, já que há preocupações mais urgentes, como a luta pela sobrevivência, por exemplo. Tal questão vai de encontro com os dados do Instituto de pesquisa econômica aplicada (IPEA), os quais revelam que cerca de 54% da população nunca frequentou o cinema, ou seja, mais da metade dos brasileiros não tiveram acesso a uma das principais formas de cultura da contemporaneidade.

Além disso, convém pontuar ainda que a falta do acesso à cultura facilita a perpetuação das mazelas em economias subdesenvolvidas. Isso acontece porque a tendência da alienação, pela falta de conhecimento do passado, é garantir que a gestão de bens públicos seja guida pelos interesses particulares de quem, assim como poetizado por Gregório de Matos, ‘’não sabe governar a própria cozinha, mas pode governar o mundo inteiro’’. Dessa forma, sem atingir tal nível de discernimento comunicacional, a massa é dominada. Tal fato vai de encontro com o pensamento do sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, o qual aponta que o cidadão crítico e consciente do seu passado, com informação de fonte segura, não aceita imposições de realidades que tolhem sua liberdade comportamental.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, é necessário que a mídia, por ser capaz de atingir diversas camadas da sociedade, em parceria com o Estado, que é garantidor dos direitos individuais, criem o cronograma da cultura, o qual será acessível em diversos horários e dias da semana, com exibição de diversas manifestações artísticas de todos os tipos, por meio da ampla divulgação em programas da TV aberta. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais para atingir mais pessoas. Dessa forma, será possível conhecer o passado, para não cometer erros no futuro, e gozar dos direitos estabelecidos na constituição federal de 1988.