A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 21/09/2021
O Brasil é um país deveras diversificado culturalmente devido às navegações lusitanas, as quais proporcionaram, a partir do século XVI, a miscigenação. Entretanto, não há, por parte dos cidadãos, o adequado reconhecimento desse relevante fator de identidade, a cultura, visto que, a existência de uma sociedade tão desigual, aliada à negligência estatal dificultam a democratização de seu acesso e, por conseguinte, a adesão popular em sua defesa.
De início, a desigualdade social representa um impasse para o acesso à arte de maneira equitativa. Fato é, não raro, os estigmas, conceituados pela área da Sociologia, associados a um grupo social menos abastados financeiramente, com tom de pele escura e morador de locais periféricos, por exemplo, refletem na disponibilidade de sua cidadania, algo que não deveria ser discutível, de modo a restringí-la ao ponto de não permitir o acesso à cultura para essa determinada parcela social. Sendo assim, sobrepondo-se à lei, a qual defende a democracia da arte, o estigma, fortalecido pelo imaginário social conformado, desvaloriza diversas minorias e, lamentavelmente, põe em risco a cidadania e democracia nacional.
Outrossim, a negligência estatal é outro motivo responsável pelo desafio no alcance da democratização cultural. Isso ocorre porque o Estado não oferece subsídios suficientes à sociedade, sobretudo aos grupos de baixa renda. Para exemplificar, o ineficiente investimento educacional reflete na atual situação de pouco conhecimento literário, haja vista que o Brasil é, segundo relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes -PISA-, um dos países mal colocados, ficando abaixo da média estabelecida. Com isso, um dos principais mediadores de cultura, a escola, não cumpre seu papel na formação do indivíduo com conhecimentos integrados ao saber artístico, distanciando os contatos necessários entre o homem e a cultura.
Ante o exposto, cabe ao poder público mitigar a desigualdade social, mediante o aprimoramento de políticas públicas, as quais deverão auxiliar as minorias sem condições financeiras, oferecendo transporte e ingresso para ir ao cinema, teatro ou biblioteca uma vez por mês, por exemplo, a fim de modificar os estigmas associados à moral popular. Ademais, é dever da nação brasileira exigir, por meio de manifestações públicas legais, a melhoria na educação nacional, para, enfim, alcançar a democratização da cultura no país.