A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 13/09/2021
‘‘A cidade não para, a cidade só cresce/ o de cima sobe e o de baixo desce’’. O trecho da música de Chico Science e Nação Zumbi enfatiza bem o problema da discrepância social no Brasil, o que interfere diretamente na questão do acesso à cultura no país, pois, nota-se a condição social sobrepondo a sua democratização. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a apropriação do capitalismo, o qual perpassa qualquer noção de acessibilidade, assim como discutir a má gestão como estratégia adotada pelo governo.
Em primeiro lugar, se ressalta o acesso cultural como um direito garantido pela Constituição Federal-em seu artigo 215- mas que, na prática, não é executada. Isso acontece porque a arte, na era moderna, tornou-se um objeto industrial feito apenas com o objetivo de ser comercializado, tendo o lucro como finalidade, ou seja, a cultura é reduziada a um simples entretenimento elitizado. Por isso não é comum exposições culturais em zonas periféricas e interiorizadas do país, além da grande dificuldade deslocacional e preços abusivos, não condizentes com a realidade de renda de boa parte dos brasileiros. Logo, fica clara a tendência segregatória, a qual aumenta as desigualdades no Brasil em vista do lucro.
Ademais, convém destacar a reduzida participação do Estado em relação à criação de projetos públicas de democratização. Sobre essa temática, é reportada a extinção do Ministério da Cultura, em 2016, provando que a sua difusão não é prioridade no país. Esse retrocesso acontece porque uma nação sem anexação cultural é totalmente passivel à alienação- não consegue pensar por conta própria- já que muitas dessas manifestações visam retratar problemas reais da atualidade, como é o caso do documentário da Netflix ’’ democracia em Vertigem’’ e o livro ’’ Quarto de Despejo’’, de Carolina de Jesus. Desse modo, evidencia-se que essa deteriorização não é uma simples situação, mas uma estratégia política com grandes efeitos nocivos.
Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania promover um maior acesso a cultura e conhecimento, por meio de projetos que visem a criação de espaços culturais multiuso fora das metrópoles brasileiras- os quais serão utilizados para peças teatrais, espetáculos de dança, cinema e exposições de livros de forma gratuita- com o objetivo de garantir a sua democratização estabelecida pela Constituição Federal. E também, o Estado deve repensar suas políticas adotadas e, a partir disso, reintroduzir o Ministério da Cultura afim de difundir a arte entre os brasileiros e, assim, tornar a sociedade mais pensadora, ou seja, menos alienada.