A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 11/09/2021
Na duologia de filmes cearence “Cine Holliúdy”, Francis, o protagonista, tem o sonho de que seus filmes e seu cinema, em uma cidade no interior nordestino, façam sucesso e sejam transmitidos na televisão. Ao trazer para a realidade, percebe-se que a negligência por parte da prefeitura em garantir o acesso a esse lazer à população, apresentada no filme, ocorre de fato na sociedade. Nesse ínterim, é notório que a democratização do acesso à cultura ainda é um desafio a ser superado no país. Sendo assim, é preciso reconhecer que o contexto histórico de desigualdade social persiste e que a população busca outras formas de contato na tentativa de atenuar tal desarmonia.
A princípio, faz-se mister pontuar que obter livros, filmes e música, dentre outras formas de arte permanece seguindo um estereótipo elitista no Brasil. Com a chegada de D. João VI, em 1808, a Nação teve a inalguração de sua primeira biblioteca, que estava reservada à nobreza, uma vez que a maioria dos brasileiros eram analfabetos ou não tinham recursos para manter o hábito de leitura. Já atualmente, uma proposta de taxação de livros foi debatida sob o argumento de que “apenas ricos leem”, entretanto tal medida apenas aumentaria o abismo social que as camadas menos favorecidas enfrentam para ter acesso à literatura, o que acarretaria em uma geração menos crítica e incapaz de atuar no cenário político-social do Estado. Desse modo, é imprescindível usar a cultura como ponte para atenuar a desigualdade intelectual entre as classes sociais.
Ademais, é essencial destacar que, diante das disparidades socioeconômicas, uma grande parcela populacional recorre à pirataria ou a plataformas digitais que distribuem o conteúdo por um valor menor, como o Amazon Prime Video. Com as Revoluções Industriais, os indivíduos puderam ter mais acesso à tecnologia e, por cinema e CDs serem caros, surgiram os chamados “camelôs”, os quais vendem, dentre outros produtos, esses conteúdos por um preço bem abaixo do mercado, o que acaba por democratizar o acesso desses à massa, embora não monetize os criadores. Dessa maneira, fica nítido que é preciso facilitar o acesso de forma legal e menos díspare a esses veículos culturais para que os sujeitos não sejam facilmente manipulados, como defendia a socióloga alemã Hannah Arendt.
Infere-se, portanto, que facilitar o acesso à arte e ao conhecimento é de suma necessidade no cenário atual do país. Com isso, cabe ao Governo Federal incentivar os artistas nacionais e destruir o estigma de que cultura é apenas para os ricos por meio de uma maior de verbas para a contrução de cinemas e museus públicos, para que a sociedade entenda que as produções brasileiras também são de qualidade e crie um sentimento patriota. Além disso, a família e a mídia são importantes no incentivo ao consumo literário e musical para que seja natural, como sonhava Francis, e formar uma geração mais crítica.