A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 11/09/2021
O Renascimento, movimento cultural com a finalidade de valorização do ser humano e da razão, ocorrido na Europa entre os séculos 14 e 16, gerou bastantes produções culturais que exerceram influência sobre a política, economia e sociedade daquela época. Atualmente, apesar do hiato temporal, a cultura continua gerando mudanças na vida das pessoas. Dessa forma, é imprescindível discutir as barreiras que dificultam a democratização do acesso às produções culturais, bem como a importância que elas acarretam nos indivíduos.
Primeiramente, o acesso restrito aos meios culturais pode ser explicado devido à desigualdade socioeconômica presente na sociedade brasileira. Os preços inacessíveis dificultam o engajamento da população, pois, segundo dados do IPEA, eles são obstáculos para mais da metade dos entrevistados. Não só isso, mas também a dificuldade de locomoção, já que 41% de todo consumo cultural, de acordo com IBGE, concentra-se nas regiões metropolitanas. Isso é decorrente da presença massiva de cinemas, museus, teatros e bibliotecas nos grandes centros urbanos.
O acesso à cultura possibilita o desenvolvimento do senso crítico e melhoria da qualidade de vida. De forma que o conhecimento cultural ajuda em uma melhor educação e as formas de arte levam pessoas a lugares que elas nunca imaginaram chegar. Apesar disso, esse é um meio negligenciado de cuidados pelo governo, visto que nos últimos três anos dois importantes museus pegaram fogo, a Cinemateca Brasileira e o Museu Nacional. Também, houve a extinção do Ministério da Cultura no ano de 2019, tornando-se apenas uma pasta em outro Ministério.
Assim, o Ministério do Turismo por meio da Secretaria Especial da Cultura deverá promover eventos culturais com acesso gratuito ou preços mais acessíveis à população. Também, o desenvolvimento de medidas de preservação aos acervos culturais nacionais, tão importantes para a história do país. Ademais, artistas poderiam promover apresentações itinerantes em espaços públicos -praças ou quadras esportivas- , como fez o cantor Luan Santana em seu projeto “Live Móvel", chegando a regiões interioranas e periféricas. Desse modo, a cultura deixa de ser algo restrito a apenas uma parcela e passa a ser uma forma de mudar a sociedade, como no Renascimento.