A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 11/09/2021
Com o advendo da 2ª Revolução Industrial na Europa da década de 1870, a humanidade passou por um período chamado de “Belle Epóque” em que houve uma explosão de produção cultural nos grandes centros urbanos, mas nem toda a população tinha acesso a essas obras. Diante disso, é possível perceber a semelhança entre o continente europeu oitocentista e o Brasil do século XXI, a falta de acesso à cultura por uma parte dos habitantes. Percebe-se portanto que, devido a concentração de objetos culturais ser nas grandes cidades os cidadãos rurais não tem acesso às produções artísticas e por isso tem um acesso crítico limitado.
Em primeira análise, destaca-se que segundo o princípio de isonomia da Constituição Federal de 1988 todos são iguais perante à lei e tem os mesmos direitos, mas na prática nem todos os habitantes desfrutam de todas essas garantias legitimadas pela legislação. Isso porque a cultura ainda não foi democratizada no país, pois as grandes empresas responsáveis pela difusão cultural se concentam apenas no ambiente urbano devido ao maior dinamismo do mercado nessa área, fato que desfavorece e traz prejuízos para a população rural.
Além disso, é válido ressaltar que a falta de acesso à cultura gera uma “matrix”, assim como na saga de filmes produzida por Joel Silver, uma realidade que torna os indíviduos seus reféns, fazendo com que eles só enxerguem uma visão de mundo sem diversidade de pensamento. Nesse contexto, é possível relacionar a alienação causada pela “matrix” à desinformação gerada pela falta de democratização do acesso à cultura que deixa os moradores das zonas rurais sem o repertório cultural necessário para expandirem a sua capacidade de formação de senso crítico, tornando-os alvos de manipulação e doutrinação. Dessa forma, vê-se que a produção artística tem suma importância na estruturação da sociedade e deve ser garantida a todas as parcelas da população.
Portanto, conclui-se que, o acesso à produção cultural é fundamental para o bem-estar de uma sociedade e deve ser garantido a todos fazendo cumprir o princípio da isonomia da Carta Magna de 1988. Por isso, é necessário que o Ministério do Turismo e da Cultura promova incentivos estatais para levar empresas de difusão artística a se instalarem em ambientes rurais, com a missão de democratizar o acesso aos objetos culturais para que assim os cidadãos ampliem seu enso crítico e não se tornem alvos de manipulação. Também é função do Ministério da Educação promover projetos que quebrem a “matrix” expandindo o repertório cultural dos habitantes. Dessa forma, o Brasil viveria uma verdadeira “Belle Epóque”, com toda a população tendo acesso às obras produzidas em seu país.