A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 13/09/2021

Segundo o filósofo germânico Georg Hegel, o pensamento social evolui com o decorrer da história, dado que a sociedade passa a adotar ideais coletivistas com o intuito de se tornar mais inclusiva e garantir a qualidade de vida para todas as camadas da nação. Contudo, as dificuldades para concretizar a democratização do acesso à cultura no Brasil reflete a predominância do pensamento individualista de um Estado negligente e de uma sociedade indiferente.

A priori, é fulcral expor que segundo Confúcio, filósofo chinês, a cultura está acima da diferença da condição social, fundamentando, assim, o direito essencial de acesso a esta importante ferramenta de aprendizado. Entretanto, no Brasil atual a realidade se contrapõe ao que é dito pelo pensador, uma vez que, devido à negligência governamental, a falta de democratização do acesso à cultura ainda se configura como um problema a ser enfrentado. Por causa disso, pessoas portadoras de deficiências ainda não gozam de uma plena acessibilidade cultural no âmbito da sétima arte e no teatral, já que são escassos os filmes nacionais legendados, poucas são as salas de cinema que possuem infraestrutura para acomodar cadeirantes, há poucos teatros que possuem audiodescrição ou pessoas especializadas para auxiliar cegos e surdos, além de haver poucos museus que recebam esses indivíduos.

A posteriori, é importante destacar que de acordo com o artigo 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo cidadão tem direito de tomar parte da vida cultural e de fruir as artes. Todavia, o atual cenário brasileiro contrapõe-se ao que é determinado na lei, já que a sociedade tem se tornado cada vez mais alheia à importância da democratização cultural para a formação de indivíduos que conseguem enxergar além da sua realidade social. Dessa forma, vale salientar que esse entrave colabora com o aumento da criminalidade nas regiões menos favorecidas do país, já que a má distribuição do patrimônio artístico impede que essas pessoas possam ter contato com os mais diversos tipos de arte, fundamentais para estimular o senso crítico e formação cultural, os quais são capazes de lhes oferecer uma alternativa uma realidade melhor do que a que precisam enfrentar.

Em suma, é necessário que haja a plena democratização do acesso à cultura no Brasil. Para isso, é preciso que o Estado torne mais acessível para pessoas com deficiência todos os cinemas, teatros e museus do país por meio de instalações de rampas, mais espaços que acomodem confortavelmente cadeiras de rodas, mais salas com audiodescrição e maior disponibilidade de filmes nacionais com legenda, a fim de permitir o contato desses indivíduos com todos os tipos de arte e cultura. Outrossim, é preciso que o Ministério da Educação, junto às escolas brasileiras, leve a cultura para todas as camadas sociais e democratize a distribuição do patrimônio artístico por meio de excursões.