A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 13/09/2021
Conforme o pensamento de Antônio Cândido, sociólogo brasileiro e crítico literário, a arte humaniza, conscientiza e forma o caráter, mediante a construção do conhecimento e a formação da expressividade. Dessa forma, a democratização do acesso à cultura, pela propagação artística no Brasil, é um fator imprescindível ao pleno progresso da sociedade. Tal importânica se manifesta no desenvolvimento social do indivíduo e na promoção da diversidade.
Nessa perspectiva, a princípio, a concepção de uma sociedade parte da construção dos sujeitos e das relações inter-humanas estabelecidas na composição da identidade cultural. Desse modo, para o filósofo francês Michel Foucault, o indivíduo, além da composição biológica, detém os fatores psico-sociais, mutuamente associados. Assim, a educação artística e a sociabilidade, como auxiliadores do ser foucaulniano, são intrinsecos à formação da expressividade e composição do conhecimento na aplicabilidade cotidiana do cidadão em relação à comunidade em que se está inserido. Por isso, a escultura do Cristo Redentor, o livro “Macunaíma”, a pintura “Abaporu”, entre outras manifestações brasileiras, possibilita a noção de pertencimento. Além disso, a democratização do acesso aos bens culturais incentia a promoção da autonomia crítica e a efetivação dos direitos individuais.
Ademais, de acordo com o escritor iluminista Voltaire, à medida em que o indivíduo se distancia do contato com outras realidades distintas, a germinação do preconceito tende a crescer e o contrário também se verifica: a ampliação do conhecimento pode dicipar ideias errôneas pré-concebidas. Assim, a aproximação de diferentes traços culturais e o consequente respeito às diversidades são impulsionados, principalmente, pela igualitária propagação da arte (seja popular, seja erudita). Por conseguinte, os direitos humanos são confirmados nos seguintes aspectos: igualdade entre os cidadãos, promoção do conhecimento e educação pela produção artística. Dessa maneira, no Brasil, a liberdade de expressão será concretizada e a resultante alteridade entre os cidadãos, efetivada.
Portanto, é de enorme importância a ampliação do acesso à cultura para a democracia brasileira. Sabendo disso, o Ministério da Cidadania, órgão governamental responsável pelo desenvolvimento social, juntamente com o Ministério da Educação, deve promover a educação cultural. Isso será possível, mediante a exposição artística em praças e centros públicos e o incentivo ao contato com os acervos culturais brasileiros desde o ensino primário. Essa ação propiciará a descentralização do conhecimento dos valores da sociedade, a mitigação das intolerâncias e possibilitará a plena formação humana dos indivíduos, segundo o pensamento de Antônio Cândido.