A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 14/09/2021

“A cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado”. Foi assim que, com poucas palavras, o escritor francês André Malraux foi capaz de expressar a importância de garantir a todos os membros de uma sociedade o pleno acesso à cultura. Ainda que inseridos num mundo globalizado, o direito cultural no Brasil, apesar de ser universal, é inacessível a uma parcela considerável da população, graças às desigualdades sociais. Com isso, o paradigma se repete sem que hajam vozes que mudem tal realidade.

Nesse sentido, é fundamental entender que os profissionais que trabalham na área da arte, promovendo a cultura, ainda são muito desvalorizados, fator que afasta muitos potenciais artistas de tal ramo. Segundo dados do Panorama Setorial da Cultura Brasileira, cerca de 42% dos brasileiros não praticam atividades culturais com frequência. Isso se deve à falta de incentivo dos governantes, bem como da população, que, muitas vezes, não reconhecem o trabalho desses profissionais, assim como aconteceu com Van Gogh e diversos outros gênios das artes que só obteram notoriedade após a morte.

Além disso, é indiscutível que o acesso à cultura está diretamente ligado à condição financeira do indivíduo, o que acaba concentrando a maior parte da informação cultural nas classes mais altas. Ademais, assim como pensava o sociólogo Zygmunt Bauman, na sociedade líquida contemporânea as relações e valores desenvolvidos são maleáveis e fáceis de se perder. Dessa maneira, em um país que não investe pesado na educação cultural de toda a população, acaba perdendo valores culturais.

Fica claro, portanto, que o acesso à cultura ainda não é garantido a todos os cidadãos. Dito isso, faz-se imprescindível que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela cultura do país, melhore as leis já vigentes, como a Lei Rouanet, que direciona incentivos fiscais a realização atividades culturais. Além disso, a fim de estimular, desde cedo, o desenvolvimento artístico da população jovem, é necessário que escolas invistam mais em aulas de artes, teatro e música, despertando o interesse das crianças pela cultura brasileira.