A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 13/09/2021
Na Grécia Antiga, o acesso à cultura era indispensável para a população, pois era considerado uma comprovação da sua cidadania. Contudo, a contemporaneidade elitizou o consumo da cultura oferecida, o que tornou a democratização do alcance à cultura no Brasil uma necessidade, visto que esse é um direito garantido pela Constituição Brasileira de 1988. Nessa perspectiva, atualmente, a desigualdade social impede a aquisição de parte da população ao entreterimento, o que interfere no desenvolvimento das experiências sensíveis no indivíduo.
Em primeira análise, o Brasil é um grande portador de patrimônios culturais, no entanto, a desigualdade social, presente desde os primórdios da República, dificulta sua apreciação. Nesse contexto, um episódio da série televisiva mexicana “Chaves” exemplifica a indignação do personagem principal quando não consegue prestigiar uma obra cinematográfica devido a sua baixa renda. De maneira análoga à ficção, a desigualdade social existente no país restringe a parte periférica da população aos exuberantes conteúdos disponíveis, o que afeta de maneira prejudicial o cotidiano dessa comunidade, na qual tem sua qualidade de vida diminuída. Logo, é fundamental que a cultura brasileira possa ser compartilhada por toda nação.
Outrossim, o contato com os costumes locais, como a música, o teatro e o cinema são extremamente importantes para a construção de memórias sociais para o indivíduo. Nesse sentido, segundo o filósofo inglês David Hume, os seres humanos necessitam de experiências sensíveis para melhoria do seu conhecimento. Analogamente ao pensamento de Hume, a cultura é uma maneira pertinente de desenvolver os sentidos, em virtude da sua capacidade educativa, que resulta em inúmeros benefícios pessoais e sociais, como o desenvolvimento do senso crítico, além de possibilitar a diminuição da ignorância e de preconceitos. Assim, para que a sociedade em geral seja prestigiada com as vantagens da cultura, é essencial que sua obtenção seja universal.
Portanto, é indiscutível a urgência na democratização do acesso à cultura no Brasil. Primeiramente, é dever do governo Federal, juntamente com o Ministério da Cidadania, amenizar a desigualdade social vigente no país, por meio de projetos que incluam o ingresso da parte menos privilegiada da população em atividades culturais, com a finalidade de proporcionar a garantia dos direitos dos cidadãos, dessa forma, todos os brasileiros poderão conhecer sua própria cultura e disseminá-la, o que garante as experiências sensíveis sugeridas por Hume, formando uma construção social de boa qualidade.