A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 13/09/2021
Gilberto Dimenstein, autor e jornalista, disserta em seu livro “Cidadãos de Papel” sobre direitos constitucionais e como “residem somente na imaginação”. Nesse sentido, o artigo 5º da constituição de 88, que garante o direito ao lazer, torna-se um direito imaginário, pois a cultura no país, através de meios caros, é elitizada. Isso incide pelas faltas de apoio dela como meio de trabalho e investimento no empregado e no consumidor.
Em primeira análise, é fulcral verificar o preconceito presente sobre a classe cultural. Immanuel Kant, filósofo, diz que “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Nesse sentido, preconceitos são criados, pois escolas do país visam empregos “tradicionais” como única opção, o que desincentiva jovens a seguir carreira, gerando escassez de trabalhadores e, como fala o economista Adam Smith, pouca oferta encarece o produto.
Ademais, a falta de investimento do governo, tanto no consumidor quanto no produto, elitiza-o mais. Em 2019 o governo acabou com projetos fundamentais da cultura no brasil: o Ministério da Cultura e a agência nacional de cinema. Essas baixas, juntamente com, segundo o jornal “oglobo”, o salário mínimo com menor poder de compra dos últimos vinte anos, fez com que a população priorizasse empregos mais “certos” e a compra de comida e moradia ao lazer. Porém, como na música de “Titãs“ —banda brasileira— que retrata a população, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para solucionar a problemática. Para isso, urge à Secretaria da Cultura, por meio de escolas e grande mídia, criar campanhas publicitárias, na qual artistas vão dizer sobre não desistir dos seus sonhos, a fim de incentivar a juventude a seguir carreira artística e consumir arte, aumentando a oferta e a procura do produto. Também, é necessário que o Ministério da Economia, por meio de bancos estatais, crie uma linha de crédito direcionada à cultura, permitindo que a população mais pobre aproveite-a. Dessa forma, um direito fundamental passará da imaginação à realidade.