A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 15/09/2021
Com a globalização e suas inovações, meios culturais como televisores, teatros, festivais de música e museus foram ampliados. Entretanto, na realidade, embora tenha-se notado um aumento de acesso a esses eventos, a democratização do acesso à cultura ainda é meta para muitas cidades no Brasil, já que ela garante uma forma de escapismo do mundo, mas encontra obstáculos devido à negligência estatal.
De início, é válido ressaltar a relevância do entretenimento e do lazer para o bem-estar coletivo. Nessa lógica, deve-se rememorar a citação do psicanalista Sigmund Freud, o qual relata que é impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem ter um mecanismo de fuga. Em analogia, pode-se fazer referência à arte, um dos principais meios culturais, como opção que muitos indivíduos adotam para escapar do mundo real conflitante, mesmo que momentaneamente. Por conseguinte, isso se tornaria de grande vantagem para brasileiros que vivem entre violência, pobreza ou problemas psicológicos, já que esses ambientes de estresse prejudicam a saúde mental deles e a cultura é o melhor meio para canalizar essa energia negativa. Assim, nota-se a necessidade de que tal garantia seja de forma igualitária.
Contudo, deve-se ressaltar que esse direito tornou-se um privilégio, visto que o governo é omisso em relação a sua democratização. Nesse viés, seja pela priorização de outros setores, seja pela falta de apoio que é dada aos estados para garantir verbas, é claro que possibilitar um acesso igualitário à cultura não está na lista de prioridades do país. Desse modo, o Estado busca desenvolver o agronegócio e a malha industrial nacional, já que esses trazem resultados mais atraentes para as autoridades, como o retorno financeiro, e deixa a parte a importância de garantir mecanismos de lazer e entretenimento. Consequentemente, evidencia-se o desrespeito à Constituição ao impossibilitar a isonomia social, o que tornou-se claro no dia 2 de setembro de 2018, quando o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro mostrou essa displicência com tal garantia, já que medidas de segurança nesse espaço foram deixadas de lado. Dessa forma, enquanto o objetivo do país for avançar economicamente, a cultura nacional estará concentrada na mão de poucos.
Portanto, urge-se a necessidade da criação de medidas para popularizar o acesso a esse direito. Para tal, o Governo, como agente intensificador dessa problemática, deve analisar medidas mais efetivas no setor cultural. Isso pode ser feito por meio de congressos realizados com os ministros dos Estados e com economistas, onde especificamente busquem procurar o equilíbrio entre economia e cultura sem marginalizar nenhum dos dois, com vistas a garantir tal meio de escapismo para todos, além de permitir que verbas sejam destinadas a todas regiões, e, assim, mitigar a omissão estatal.