A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 16/09/2021

No ano de 1985, no Governo Sarney, foi fundado o Ministério da Cultura com o intuito de viabilizar o acesso democrático às manifestações culturais aos cidadãos. No entanto, três décadas depois, em 2016, ele foi extinto no Governo Temer, o que corrobora com a ideia de que a cultura não é tratada como prioridade dentro do cenário sociopolítico brasileiro. Atualmente, embora a cultura sendo uma ferramenta poderosa transformadora socioeconômica, existem barreiras que dificultam o acesso democrático à cultura no Brasil, são elas: os preços caros cobrados por eventos culturais ea ineficiente gestão pública para que essa experiência chegue igualitariamente para todas as pessoas.

Em primeiro lugar, nem todo mundo tem acesso à cultura. Isso porque os preços caríssimos cobrados por eventos culturais, como cinema, teatro e shows, afasta o grande público das salas, cadeiras e palcos; e, além disso, contribui para que a cultura não alcançe quem deveria: a todos. O filme “Na quebrada”, dirigido por Fernando Frostein, mostra a realidade de jovens periféricos e, até então, imobilizados socioeconomicamente pela classe social a que pertecem, que inclui na cultura cinematográfica a luz em meio a escuridão da desigualdade social e da pobreza e conseguiram mudar o rumo de seus futuros. Esse é um dos grandes exemplos que cultura não é só cultura. Ela é conhecimento, experiência e, como pontuado na produção audiovisual mencionada, ela pode ser o meio de romper padrões e criar novas perspectivas.

Além disso, uma gestão pública para que a cultura chegue para todas as pessoas colabora para que muitos sejam privados dessa experiência. Em uma reportagem da Record News sobre as terríveis condições humanitárias da maior parte da população do Quênia, país do leste africano, uma comunidade recebe destaque ao criar, em meio ao descaso público no provento de recursos básicos, um cinema de acesso democrático, com pouquíssimos investimentos econômicos, mas com muito a usar: a cultura não precisa ser cara ou inacessível, ela deve e pode ser democraticamente para todos, basta apenas uma governança que empenhada em fazer isso com seriedade e prioridade.

Sendo assim, é notório que a cultura assume papel importante na transformação socioeducacional do país, como explicitado no filme, embora ainda colida com diversas barreiras que dificultam o seu acesso democrático. Por isso, a gestão pública deve, através de projetos sociais e parcerias com empresas engajadas, levar como experiências culturais diversas para locais de grande acessibilidade ao público, como as ruas, por meio da pintura, da música, da peça teatral, por exemplo , além de promover eventos gratuitos, para que haja a participação dos que não têm condições financeiras, como a população queniana, para pagar caro por um ingresso, por uma cadeira, por uma cultura.