A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 16/09/2021
O longa “Tapete vermelho” narra a jornada do fazendeiro interiorano Quinzino e sua tentativa de achar um cinema para seu filho poder assistir pela primeira vez um filme. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que, muitas cidades no país não apresentam opções culturais para sua população e não há incentivo para os pequenos artistas.
Primeiramente, a Constituição Federal prevê no artigo 215, que o Estado garantirá a todos acesso às fontes culturais e apoiará a difusão destas. Entretanto, um estudo do IBGE de 2014, revelou que apenas 23,4% dos municípios brasileiros tinham locais específicos para espetáculos, como peças teatrais, diferindo-se do que é previsto na carta magna do país. Ademais, as poucas cidades que possuem formas de entretenimento, não respeitam o pensamento do filósofo chinês Confúcio de que “a cultura está acima da diferença da condição social”, ou seja, o lazer limita-se apenas àqueles mais abastados, deixando a população carente limitada à vida cotidiana e “retirando a cor” de seu mundo.
Outrossim, os profissionais da arte são os que menos recebem incentivos populacionais e governamentais. É comum em cidades pequenas, a população deslocar-se aos grandes centros urbanos para assistir shows ao vivo, ao invés de prestigiar os artistas locais. Além disto, a pandemia da COVID-19 impossibilitou a ocorrência de espetáculos que causassem aglomeração, comprometendo, assim, a renda dos que dependiam destes para viver. E mesmo com o auxílio financeiro de 600 reais da Lei Rouanet, muitos desses artistas passam necessidade, e, em alguns casos, até fome.
Diante dessa problemática, infere-se que medidas são necessárias para permitir a democratização do acesso à cultura. Cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Cidadania e da Secretária Especial da Cultura, realizar projetos, como show e exposições, que forneçam entretenimento gratuito e deem oportunidade a artistas locais, a fim de que todas as pessoas tenham lazer, e que aqueles dependentes dele para viver, possam ter uma vida digna. Somente assim, o cidadão verá a obra “Tapete vermelho” e enxergará nela o passado.