A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 17/09/2021

Na Roma Antiga existia a política do “Pão e circo”, na qual os governantes distribuiam alimento e ofertavam lutas de gladiadores gratuitas para a população, com o intuito de evitar revoltas. Entretanto, na conjuntura atual, nota-se que o brasileiro aceita um processo semelhante, com um entretenimento alienante, que deve ser substituído pela cultura. A partir disso, faz-se imperioso analisar a importância dessa mudança e o estigma associado a ela que a impede.

O primeiro aspecto a se considerar é que o lazer, e consequentemente a cultura, são direitos sociais garantidos pelo Artigo 6° da Constituição Federal de 1988. Diante disso, é primordial ressaltar que a formação cultural não diz respeito ao entretenimento puramente, pois, filmes, livros, história, músicas também tem função de educar e formar uma identidade nacional. Por exemplo, ao mesmo tempo que o indivíduo descansa quando vai ao cinema, ele também refletir sobre assuntos não discutidos no seu cotidiano, pode conhecer outras realidades e até mesmo sobre seu país.

Ademais, é evidente que a cultura não é democratizada no Brasil, ela é disponibilizada apenas a elite e principalmente nos centros urbanos, ou seja, parte considerável a população não tem acesso a tal direito. Prova disso é que, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% do povo brasileiro nunca foi a algum museu. Isso ocorre devido a mercantilização de produtos essenciais no Brasil, desse modo, a cultura se tornou um mero produto e uma simbologia de poder, isto é, uma pessoa culta é tida como mais poderosa, elegante, sofisticada e abastada.

É urgente, portanto, que o Ministério do Turismo, responsável por uma parte do extinto Ministério da Cultura, crie centros culturais nas periferias e interiores, com exposições artísticas e históricas com a entrada gratuita. Isso deve ocorrer por meio do aumento de verbas para esse setor e com o apoio da mídia, a qual ficará encarregada de incentivar a população a frequentar tais espaços, com o objetivo de democratizar o acesso à cultura no Brasil e acabar com os símbolos de poder em torno dela.