A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 18/09/2021
Na Constituição Federal, documento formado pelas leis fundamentais e supremas do Brasil, é assegurado, aos cidadãos, o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, de modo a abranger todas as classes sociais e todos locais. No entanto, o ideal constitucional não é efetivado, atualmente, em sua totalidade, uma vez que a dita lei não é posta em prática de forma generalizada socialmente. Assim, faz-se necessário analisar como o poder aquisitivo influencia na não democratização do acesso à cultura no Brasil, bem como a desvalorização desses conhecimentos na base curricular brasileira.
Primeiramente, é fundamental conhecer como o acúmulo de capital influencia no conhecimento e contato cultural. Para isso, é possível apoiar-se no pensamento de Ariano Suassuna, importante escritor brasileiro, ao afirmar que o Brasil é dividido em dois polos distintos: o despossuído e o privilegiado. Dessa forma, enquanto os que detêm o privilégio podem ir a um cinema, museu e ter contato com os costumes e valores de seu povo, os que ficam às margens da sociedade são privados desses meios e, consequentemente, impedidos de terem seus pensamentos críticos aguçados e enriquecidos por meio do convívio com a cultura nacional. Logo, é preciso que haja a inclusão de camadas desfavorecidas socialmente para que a democratização cultural atinja o seu mais alto grau.
Ademais, além da não inclusão total aos meios disseminadores culturais, a postura omissa de parte das escolas que, segundo a Sociologia, é o segundo grupo que mais tem contato com os jovens, também é um empecilho para a democratização do acesso à cultura. Isso decorre da matriz curricular atual, que privilegia as disciplinas tradicionais e não valoriza atividades culturais, como visitações a galerias e aulas sobre teatro, de modo a limitar-se a ensinar o conteúdo que é considerado ‘‘relevante’’ para vestibulares e excluir tópicos como cinema e música. Por consequência, o indivíduo cresce e vê a cultura e arte como algo pouco interessante, o que formula o motivo maior que faz com que parte nacional nunca tenha frequentado museus e exposições de arte, como afirmou a UNESCO.
Evidenciados os fatos, é imprescindível resolvê-los para o bom andamento do corpo social brasileiro. Portanto, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, a formulação de um Plano de Integração Cultural, que deverá financiar a construção de grandes centros de arte com salas de cinema, anfiteatros e bibliotecas em cidades pequenas do interior, além de disponibilizar desconto considerável ou total para aqueles que comprovarem que são despossuídos economicamente, a fim de tornar a cultura efetiva, totalizadora e sem excluir nenhum cidadão que queira conhecê-la. Feito isso, os ideais da Constituição Federal serão corretamente praticados.