A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 21/09/2021

Durante o Período Colonial, o padre José de Anchieta utilizou o teatro para ensinar e catequisar os índios no Brasil. Com base nesse fato histórico, apesar do seu objetivo inadequado, percebe-se que a arte possui um papel fundamental na construção dos indivíduos, mas que, infelizmente, não está ao alcançe de todos os brasileiros. Dessa maneira, é importante analisar como a democratização do acesso à cultura é essencial para a formação de uma população mais crítica, além da atuação da ideologia capitalista como obstáculo para impedir a aquisição igualitária desse direito.

Primeiramente, é necessário destacar que a democratização do acesso à cultura é fundamental para o desenvolvimento social no Brasil. Tal concepção baseia-se na teoria do crítico literário Antônio Cândido, o qual afirma que a arte é essencial para os sujeitos, pois ela humaniza e forma caráter. À vista disso, nota-se que os instrumentos culturais são fontes de conhecimento e libertação, uma vez que permitem a formação crítica dos indivíduos e promovem a compreensão das diversas realidades nacionais. Desse modo, fica claro que a exclusão desses mecanismos indispensáveis fomenta a construção de uma sociedade alienada, a qual, além de ser facilmente manipulável, é incapaz de reivindicar seus direitos e de conhecer seus deveres, ou seja, forma-se pessoas que não são cidadãos.

Ademais, é válido ressaltar que os interesses econômicos impedem a democratização do acesso à cultura no Brasil. Tal perspectiva está associada à teoria do sociólogo alemão Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, os grupos dominantes controlam diversos aspectos da sociedade, como a disponibilização dos instrumentos culturais. Apartir disso, percebe-se como essa ideia reflete a atual conjuntura nacional, visto que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, somente 10% dos municípios do país possuem sala de cinema. Dessa forma, observa-se que a ideologia capitalista prejudica o contato igualitário a esse direito constitucional, já que concentra os espaços culturais nos grandes centros urbanos, além de elitizarem esses mecanismos mediante o elevado preço dos ingressos e produtos, como os livros.

Logo, para que ocorra a democratização do acesso à cultura, o Estado deve combater a falta de instrumentos culturais em diversas regiões do país, mediante a realização de parcerias com empresas nacionais, as quais invistam na construção desses espaços, como cinemas e bibliotecas, nos municípios que sofrem com suas ausências. Ademais, precisa-se criar centros culturais nas periferias, os quais disponibilizem gratuitamente o contato com os mecanismos artísticos, como peças de teatro e cursos que desenvolvam o interesse pela arte. Dessa maneira, só assim será possível garantir e proteger os direitos constitucionais.