A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 18/09/2021
No livro “Estação Onze” da romancista canadense Emily Mandel, é encontrado um grupo de artistas que viajam pelo mundo pós-calamidade encenando peças de Shakespeare às famílias sobreviventes e lhes proporcionando entretenimento a fim de que elas fujam um pouco da triste realidade que viviam, além de educá-los com clássicas obras. Nessa perspectiva, pode-se ser entendido como a cultura é significante à sociedade e a importância de sua democratização no país. Sob essse viés, é válido discutir a respeito da negligência que o Brasil tem quanto à produção de cultura, além da falta de investimentos na área.
Destaca-se, a princípio, que existe, no Brasil, uma problemática negligência da cultura, haja vista que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística ( IBGE), menos de 30% dos brasileiros assistiram à um espetáculo de dança. Tal dado confirma, dessa maneira, a falta de incentivo e a procura por novos meios de educar os estudantes do país e garantir-lhes o direito ao alcançe às fontes culturais previstos na Constituição Federal de 88, podendo essas obras serem um meio de formarção do cidadão e criação de sua própria identidade. Portanto, o não acesso dessas produções culturais é, com certeza, um empecilho à sociedade brasileira.
Ressalta-se, ademais, que dentre as diversas falhas que o Governo do Brasil possui, a falta de investimentos em relação as produções culturais é uma das mais vistas no país e, por consequência disso, o acesso da população à tais obras é cada vez pior. Segundo o IBGE, a média do preço dos livros no país é maior que a renda dos brasileiros, tornando, assim, o acesso à cultura algo apenas para as classes mais altas, além do Nordeste ser onde menos possui bibliotecas na nação, sendo, essa região, uma das que mais são negligenciadas e que mais necessitam de políticas públicas. Dessa forma, é notório o triste obstáculo da democratização cultural vivenciado na conjuntura atual.
Em suma, é evidente os desafios enfrentados pelos brasileiros e a necessidade de resolvê-los. Portanto, cabe ao Estado, cujo papel é garantir o bem-estar social da população, realizar, por intermédio de envio de investimentos, shows e encenações clássicas que sejam gratuitas e relevantes, visando a educação e o entretenimento da população, além de quebrar as barreiras para o problema de acesso à cultura no Brasil. Com tais medidas tomadas, o direito previsto na Constituição Federal de 88 deixará de ser apenas algo encontrado no papel e se tornará uma realidade no país.