A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 21/09/2021

Jem e Scout, filhos de Atticus Finch do livro “O sol é para todos”, ficaram impressionados quando descobriram que o novo amigo Dill, por ser de uma cidade grande, havia frequentado o cinema, ambiente, esse, incomum na cidade em que os irmãos viviam. Tal discrepância, na qual o direito básico de acesso à acervos culturais é fornecido de maneira irregular, se encontra vigente no Brasil. Por isso, evidencia-se como a democratização do contato à cultura não ocorre plenamente no país latino-americano e essa questão pode ser destrinchada a partir da maneira como a sociedade se organiza e da falta de ações públicas que realizam a manutenção dessa dispariedade.

Em primeira análise, expõe-se como a estratificação capitalista que rege a sociedade brasileira dificulta o acesso igual à arte e suas variante. Para entender tal apontamento, relembra-se como o Romantismo portava de obras escritas pela burguesia, tratava-se da burguesia e feita para burguesia. Esse caráter fora acompanhado de uma diferente divisão social contemporaneamente estabelecida, em que a classe social burguesa havia ascendido. Dessa ascenção, a cultura definia-se, então, nos ambientes que eram incentivados pelo dinheiro da nova classe dominante: nos teatros, cinemas, museus, etc - elitizando o acesso a esse acervo e o estabelecendo de forma desigual. Isso pode ser exemplicado a partir do dado fornecido pela Unesco em 2019, o qual mostra que mais de 70% dos brasieliros nunca assistiram um espetáculo de dança - tipo de arte comum de teatros.

Outrossim, para que o cenário de distribuição desuniforme de cultura não apenas existisse mas permanece vigente, encontra-se a ausência de atuação do Estado em remediar essa situação. Isso porque, análogo a questão da persitência da fome no Brasil apresentada por Josué de Castro, a carência de políticas políticas é uma das causas, visto que faltam investimentos e proatividade. Um exemplo dessa falha é o fornecimento, por exemplo, de livros para sociedade, desestimulada pelas altas taxações do material e pela não abrangente alfabetização - insições que impedem que boa parte da população goze do exercício cultural de ler e que estão no alcance de ações governamentais, mas não são modificadas.

Conclui-se, portanto, a necessidade de se estabelecer o acesso à cultura democraticamente. Para isso, o Ministério da Cidadania deve fornecer mecanismos que viabilizem contatos mais abrangentes dos brasileiros com a arte. Isso por meio de investimentos em bibliotecas públicas, em parceiras com cinemas para oferecimento de entradas mais almejáveis, na contrução de ambientes culturais - que possam, assim, viabilizar estímulos aos mais diversos artísticas iniciantes que busquem ingressar nesse espaço - etc. Desse modo, os brasileiros serão beneficiados por seus direitos.