A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 19/09/2021
Segundo as ideias do poeta brasileiro Ferreira Gullar, a arte existe porque a vida não basta. Sob essa perspectiva, infere-se a importância da cultura para a manutenção dos valores sociais no Brasil. Entretanto, as funções culturais têm sido emudecidas, visto que a democratização de seu acesso não é plena no país. Isso acontece devido à regência de um sistema elitista e da desvalorização Estatal pelo campo artístico.
Em primeiro lugar, cabe perceber que a vigência de uma ordem segregadora no mundo capitalista reduz drasticamente a democratização do acesso à cultura no Brasil. Esse cenário caminha com mercantilização da arte, já que muitas pessoas, afetadas pela desigualdade de renda, não têm condições financeiras para consumi-la. Nesse sentido, a Constituição Federal é desrepeitada, pois, de acordo com esta, todos os cidadãos devem ter o pleno exercício de seus direitos culturais.
Ademais, vale ressaltar que a inoperância do Estado também é um empecilho para a democratização do acesso à cultura no Brasil. Nesse contexto, observa-se o enfraquecimento das instituições culturais, somado à falta de novos projetos, já que o antigo Ministério da Cultura foi reduzido à Secretaria. Tal pressuposto é análogo ao livro “1984”, de George Orwell, o qual narra uma distopia onde os cidadãos são privados de consumir quaisquer manifestações culturais.
Logo, é imprescindível que medidas sejam tomadas a fim de democratizar o acesso à cultura no Brasil. Destarte, cabe ao Governo Federal criar políticas públicas que promovam a difusão da arte em todas as camadas sociais. Isso deve ser feito por meio da isenção de impostos para empresas que organizem atrações culturais, como distribuição gratuita de livros e cinemas e teatros ao ar livre, contanto com a participação de diversos artistas e organizações civis, a fim de que a arte possa atingir todos os indivíduos. Só assim passaremos de uma vida que não basta, como disse Gullar.