A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 20/09/2021

A corrente literária do Romantismo demonstrou em sua primeira fase uma preocupação com a construção da cultura genuínamente brasileira, uma vez que os escritores reconheciam a importância dessa para a identidade de um povo. Tal recurso cultural sofre, na contemporaneidade, muito, por causa da mínima democratização de suas formas de exposição. Assim, é necessário questionar a concentração espacial e a manipulação industrial, as quais fragilizam o acesso do cidadão a cultura.

Primeiramente, é fundamental debater como o a centralização das localidades culturais, a exemplo do cinema e do teatro, diminuem o acesso a cultura no Brasil. Para comprovar tal realidade é necessário conhecer os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais asseguram que 44% dos pretos e pardos brasileiros vivem em cidades sem cinemas ou teatros. Nesse contexto, é plausível reconhecer que uma grande porção dos cidadãos do país são privados do contato com produções culturais, por culpa da concentração dos locais que expoem a cultura. Isso ocorre porque essas construções tem como foco, muitas vezes, o lucro e se instalam em cidades mais centrais com intenção de obter mais fluxo, entretanto esse pensamento limita o acesso democrático de parte da sociedade a produções culturais. Em suma, é compreensível que um grande obstáculo para a democratização da cultura Brasil é a focalização das localidades expositoras de cultura.

Ademais, é essencial discutir como o meio industrial influencia contato da população com a cultura e contribui para a não democratização dessa. Para expandir tal viés é importante conhecer a teoria dos sociólogos Adorno e Horkheimer, os quais afirmam existir uma ‘‘Indústria cultural’’ que cria produtos que se passam por criações culturais genuínas, mas são apenas instrumentos de massificação e manipulação da sociedade. Nessa realidade, é perceptível como as produções que têm sua produção semelhante a objetos em uma fábrica contribuem ativamente para a limitação do indivíduo, já que manipulam sua realidade e fragilizam o contato com conteúdos culturais mais verdadeiros que constroem identidade e individualidade. Sendo assim, é notória a participação da indústria na atenuação da democratização da cultura no Brasil.

Portanto, hajam vistos os contextos que fragilizam o acesso democrático a cultura é imprescindível que o Ministério da Cultura invista em cinemas móveis. Tal medida deve ser executada por meio da criação de equipes, as quais viajarão pelo Brasil expondo filmes com temáticas diversas para as populações. Além disso, é vital que o Ministério da Educação crie um curso sobre cultura e sua importância para a identitade popular, por meio de aulas em instituições de ensino com especialistas no tema. Tudo isso a fim de promover o acesso democratizado à cultura e previnir manipulações.