A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 20/09/2021
O poeta Ferreira Gullar costumava dizer que o homem necessita de arte, pois apenas a vida não nos basta. Em outras palavras, essa perspectiva do autor mostra a importância da cultura, e quanto a democratização dela é fundamental, porque ela é um elemento de construção da identidade das pessoas em sociedade. Entretanto, o acesso a ela aqui, no Brasil, é algo restrito por causa de dois problemas: a concentração de equipamentos culturais nos grandes centros urbanos e a baixa renda da maioria do povo brasileiro.
A princípio, dados da Secretaria de Cultura do Brasil, de 2020, mostram que quase 70% dos teatros, dos cinemas e dos museus encontram-se, em sua maioria, nas grandes cidades e capitais brasileiras. E isso torna um fator limitante de acesso a eles, em razão das dimensões continentais do Brasil que obriga as pessoas a se deslocarem grandes distâncias, no intuito de “consumir” cultura nesses espaços. Assim, essa atividade torna-se algo que exige muito tempo e recurusos para sua realização, e a ideia é justamente ser uma prática rotineira, mas nessas condições fica difícil.
Ademais, outro empecilho à entrada das pessoas no mundo cultural é a renda média cada vez mais achatada e o aumento do desemprego, muito em função da crise econômica brasileira que se aprofunda desde 2015 até os dias de hoje. E nesse panorama, as famílias, de um modo geral, alocam a maior parte dos seus recursos com despesas como aluguel, mensalidade escolar e transporte por exemplo. Não à toa, a pesquisa do Federação Nacional dos Bancos (Febraban), de 2020, ratifica tal cenário descrito, porque mostra que cerca de 70% dos assalariados estão em dificuldade de arcar com esses gastos correntes, e por isso não sobra salário para poupar e/ou cultura e lazer.
Portanto, faz-se necessário investimentos e subsídios que permitam a democratização do acesso a cultura à população, com objetivo de tornar cidadãos que tenham consciência da própria realidade social-histórica e, também, sejam capazes de preservar esse patrimônio para as gerações futuras. E para isso, o Estado, por meio do Ministério da Educação e da Secretaria de Cultura, construir bibliotecas, cinemas e museus no interior do país, com vistas a inserir brasileiros que residem nas pequenas cidades num circuito cultural, em que além de absorver toda produção, também possibilite produzir/aprender arte em oficinas e em ateliês. Além do mais, ampliar e aumentar os valores do programa “Vale Cultura”, para que pessoas com condições econômicas defasadas possam comprar livros e ir a um parque histórico por exemplo, sem comprometer a renda deles.