A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 21/09/2021

A constituição da república federativa do Brasil, garante o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. Entretanto, o que de fato acontece é a má distribuição do acesso à mesma e a centralização das fontes desse acesso como teatros, museus, cinemas e bibliotecas. Dessa maneira, sendo restrito apenas para pessoas com uma boa condição financeira, moradores de centros urbanos, o que infelizmente torna o que deveria ser um direito, um privilégio.

Primeiramente, vale analizar que de acordo com o IBGE, o número de domicílios em favelas no Brasil é de cinco milhões e doze mil, além dos quinze por cento dos brasileiros que vivem no meio rural. Ademais, de acordo com o IPEA( instituído de Pesquisa Econômica Aplicada) setenta e um por cento de pessoas entrevistadas em sua pesquisa, dizem que o maior obstáculo para desfrutar dos bens culturais, é o preço alto. Dessa forma, além da exclusão de uma parcela da população, os fatores que as impedem de usufruir dos seus direitos, como o dinheiro e a distância, acabam transformando o acervo cultural em algo elitizado. Tirando assim, dos que não têm o acesso, o sentimento de pertencimento à lugares que representam e disponibilizam o entretenimento e concedem um direito pertencente à constituição brasileira para todo e qualquer cidadão.

Segundamente, é de grande importância a democratização da cultura para um fim educacional, pois como consequência do mal investimento em bibliotecas públicas e da falta de acesso à livros e informações históricas, o Brasil está entre os últimos no ranking de educação mundial. Ademais, de acordo com a reportagem do G1, analisando a prova do ENEM aplicada em 2020, sete de cada dez alunos do ensino médio têm nível insuficiente de português e matemática, o mesmo também informa que trinta por cento dos domicílios no Brasil não tem acesso à internet. Tais questões, têm como uma das consequências a falta de mais da metade dos inscritos no ENEM na prova do primeiro dia, será falta de força vontade dos mesmos para fazer o exame, ou falta de recursos e incentivo da parte do governo? Assim, sem acesso à internet ou à livros, bibliotecas e recursos da área de lazer, como o cinema, o país fica ainda mais distante de cumprir com sua própria constituição.

Urge, portanto, a ação do ministério da educação para introduzir nas escolas e universidades públicas o básico de uma estrutura para o acesso à livros e internet, com o objetivo de incentivo para  os estudantes, formando futuros cidadãos com posse dos seus direitos. Ademais, a ação do ministério da cultura, no planejamento da construção de bibliotecas e cinemas públicos em bairros mais simples e nos interiores, tornando possível o cumprimento dos direitos básicos, junto à projetos de imersão à cultura brasileira em prol de um país justo e democrático, tirando do papel, o que promete a lei.