A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 20/09/2021

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a participar da vida cultural da comunidade. No entanto, a democratização do acesso à cultura no Brasil, cada vez mais recorrente nos últimos anos, nos mostra que ainda é necessário analisar tal postura social, visto que, no mundo inteiro gera consequências graves advindas devido tanto da negligência, quanto da indiferença popular e governamental no país.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a negligência estatal como o principal impulsionador do problema. Nesse contexto, diante do acesso desigual à cultura consolida o impasse, bem como rompe com a teoria do filósofo São Tomás de Aquino , na qual afirma que todos os civis devem ser auxiliados, isso porque o estado por não investir suficientemente em estruturas que promovem a manifestação artística como salas de cinemas, museus e bibliotecas, corrobora com o atual apartheid cultural existente no Brasil. Dessa maneira, a falta de integração e de acessibilidade, sobretudo para regiões remotas do país, contribui com a monopolização da arte aos grandes centros urbanos, como para pessoas de maior poder aquisitivo.

Além disso, é notório que a comercialização da cultura, intensificada com a globalização e já citada pelo filósofo Theodor Adorno, dificulta o acesso democrático uma vez que torna valores patrimoniais e que deveriam ser contemplados por todos em mercadorias que visam apenas a lucratividade. Ademais, por conta de tal industrialização cultural, a pluralidade da arte é limitada àquelas que alcançam maiores lucros, fazendo assim com que algumas produções artísticas se destaquem em detrimento de outras, exemplo disso são as danças como o frevo e o sapateado, por não apresentarem alto valor lucrativo, não são incentivadas como deveriam.

Conclui-se, que o acesso cultural no brasil conta com entraves que precisam ser contidos. Logo, cabe às instituições educacionais, aliadas às mídias públicas, deliberar acerca desse tema haja vista a forte influência que exercem na população por meio de debates, tanto nas salas de aulas como nas redes sociais, que visem promover a popularização dos mais variados tipos de manifestações culturais, além de incentivar um maior contato com a cultura brasileira. Assim, os órgãos governamentais devem investir na multiplicação de teatros, museus e cinemas, principalmente em regiões periféricas, além de ampliar o vale-cultura, com o fito de garantir um acesso mais efetivo. Por fim a situação será atenuada e as ideias aquinianas serão melhor aplicadas cumprindo com o direito a participar da vida cultural da comunidade.