A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 21/09/2021

No ano de 2003, Gilberto Gil - grande símbolo da música popular brasileira- e até então ministro da cultura no Brasil cantou na abertura da Organização das Nações Unidas. Hodiernamente, o acesso à cultura no país não possui o mesmo acesso e visibilidade que esse evento obteve no âmbito internacional. Diante disso, convém analisar o ideário no qual a sobrevivência das massas depende apenas da alimentação e a banalização do Estado quanto a concentração da arte nos centros urbanos.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os protestos de boa parte dos brasileiros se devem a condições tidas como mais essenciais à sobrevivência, como saneamento e alimentação. Por outro lado, a banda Titãs recita em sua música, “A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte”. Análogo a canção, o acesso ao cinema, exposições de arte, museus, livros - se torna essencial para a construção de uma sociedade culturalizada, afinal as artes estão intimamente ligadas ao identitário individual e coletivo.

Por conseguinte, o baixo investimento estatal na distribuição de equipamentos coletivos de cultura, inviabiliza o acesso de comunidades desfavorecidas economicamente. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 70% da população brasileira nunca foi a um museu ou centro cultural. Outrossim, essa questão viabiliza a “indústria cultural” descrita pelo filósofo Adorno na qual o sistema político manipula os bens artísticos somente como forma de controle social e mercadoria. Isso corrobora para que quando o acesso aconteça, seja de forma mecânica e líquida, já que a preocupação dos órgãos é meramente econômica.

Portanto, urge analisar alternativas de ampliar o acesso à cultura no Brasil. É necessário então, que o Governo Federal promova palestras nas escolas, com participação de artistas populares a fim de instituir uma consciência coletiva permeada por cultura e informação, na qual os meios artísticos não sejam meras ferramentas de dominação - e sim que a população possa usufruir de Titãs e Gilberto Gil à livros eruditos.