A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 09/10/2021

No ponto de vista do filósofo Platão, quando alguém é privado do conhecimento, consequentemente, é privado da vida democrática e, assim, pode ser facilmente governado por políticos não qualificados. Isso se aplica na realidade brasileira, já que grande parte da população brasileira não possui acesso à cultura e possui uma visão deturpada de cultura provocada pelo eurocentrismo, sendo que a valorização da cultura nacional é essencial para o sentimento de identidade de um povo. Nesse contexto, é possível afirmar que tanto a falta de investimentos quanto o descuido do governo contribuem para a restrição à cultura no Brasil.

Em primeira análise, é importante mencionar que a desigualdade social é considerada bem visível no país, já que que a maior parte da população brasileira possui baixa renda. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) há 50 milhões de brasileiros na linha da pobreza. Sobre isso, esses cidadãos possuem uma possibilidade limitada de acesso cultural, visto que a entrada em museus, cinemas, peças teatrais e a aquisição de livros é alta, favorecendo, assim, a não democratização cultural atual.

Ademais, vale ressaltar que a falta de atenção do poder público impede que a maioria da produção artística nacional seja mais inclusiva. Prova disso, é que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 5.109 dos 5.570 municípios do Brasil não têm salas de cinema e livrarias. Essa triste realidade atinge as pequenas cidades brasileiras, principalmente em Minas Gerais, que soma, aproximadamente, 11 milhões de pessoas, em São Paulo, 10 milhões, e na Bahia, 9 milhões de brasileiros sem acesso à cultura. Esse descuido fere a Constituição Cidadã brasileira, que assegura “o acesso de todos aos bens culturais da nação, a fim de promover o desenvolvimento intelectual dos indivíduos e social do país”.

Logo, torna-se evidente a necessidade de aproximar a população brasileira do seu patrimônio cultural. Então, é necessário que o Ministério da Cultura divulgue a importância da sociedade em museus, teatros e cinemas, a partir de financiamentos em ingressos por parte do governo, procurando ter a apreciação de diversos públicos. Além disso, o governo, com o auxílio da mídia, poderia criar locais que estimulem o convívio de crianças, adolescentes e adultos no âmbito literário e cinematográfico. Apenas assim, a população brasileira poderá chegar mais perto de garantir seus direitos assegurados na Constituição Cidadã e podendo democratizar, assim, o acesso à cultura no Brasil.