A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 07/10/2021

A Constituição Federal, promulgada em 1988, é um documento que assegura ao cidadão brasileiro o acesso a serviços básicos, incluindo a cultura. Contudo, o descumprimento desta é percebido ao se olhar para a população brasileira, porque muitos dos eventos culturais promovidos são inacessíveis, e também não há interesse governamental em ampliar esse acesso.

Nesse ano de 2021, a Orquestra Sinfônica do Espírito Santo realizou concertos semanais por 2 e 10 reais, a fim de promover a interação do povo com a música clássica. Infelizmente, essa não é a realidade de todo o país. Boa parte da população nunca foi a um concerto, nem mesmo ao cinema ou galerias de arte, e se comparar ao salário mínimo nacional, até mesmo livros tem se tornado inacessíveis. Hodiernamente, a maioria da população está tão preocupada em trabalhar para ter o que comer no dia seguinte, que cultura se torna algo supérfluo, apenas mais um luxo.

Paralelo a isso, existe o interesse governamental de manter o povo vendo a cultura como só um luxo. Dessa forma, o governo não apenas poupa recursos e esforços, mas também mantém as pessoas mais facilmente alienáveis. Semelhantemente, no século XX, centenas de livros foram queimados pelo regime nazista. Alguns anos depois, o Brasil enfrentou uma censura até mesmo de letras de músicas. Esses são recursos que as pessoas que comandam utilizam para que o povo não perceba que, em uma democracia, ele é o real detentor do poder.

Tendo esses fatos em vista, o Governo Federal deve, por meio da Secretaria de Cultura de cada estado, investir na implantação de bibliotecas físicas e no acervo virtual, além de realizar exibições cinematográficas em locais públicos, shows de música acessíveis, exposições de arte e das mais diversas expressões culturais, utilizando também o alcance da TV aberta para tal. Dessa forma, o Estado cumprirá seu dever de garantir à população o acesso ao que lhes é previsto na Constituição supracitada.