A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 04/10/2021
No desenvolvimento histórico brasileiro, a constituição do Ministério da Cultura, em 1985, no decorrer do governo de José Sarney, foi um marco para atribuir a difusão cultural e a liberdade de expressão. Ao fazer uma analogia com a situação contemporânea, percebe-se que sua implementação não estabeleceu de maneira igualitária o adequado acesso à cultura, o que auxiliou para o aumento da desigualdade sociocultural na nação. Assim, é notório problemas tais como: a falta de acessibilidade as regiões periféricas e a mercantilização da cultura.
Em primeiro plano, é importante destacar que os avanços tecnológicos ocorridos no século XXI contribuíram para a progressão da industrialização no país e, posteriormente para a desigualdade sociocultural. Isso porque, com a maior predominância das indústrias em algumas localidades, há o acúmulo de riquezas e de investimentos em uma área em detrimento de outra. Dessa forma, as ferramentas culturais ficam restritas aos grandes centros urbanos, enquanto a presença de museus e teatros nas regiões periféricas tornam-se distantes. Tal fato pode ser evidenciado por uma pesquisa realizada pelo IBGE, que releva que quase metade das pessoas com escolaridade mais baixa vivia em municípios que não têm cinema, 40,3% em municípios sem museu e 39,7% em cidades sem teatro. Assim, torna-se essencial medidas para contornar essa situação atual.
Entretanto, a ausência de acessibilidade não é o único aspecto. Além disso, é evidente a mercantilização cultural converte-se em um empecilho para democratizar o seu acesso. Com base nisso, de acordo com o filósofo Theodor Adorno, a arte se tornou um instrumento industrial, visto que o lucro passou a ser sua principal finalidade. Dessa maneira, a coletividade faz com que suas características regionais brasileiras sejam extinguidas, na procura pela integração de uma cultura lucrativa, o que contribui para o declínio das artes típicas nacionais, como o frevo e os folclores. Dessa maneira, é notória a contradição entre a prática do homem e o objetivo do Ministério da Cultura.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas mais eficazes que venham a amenizar os impactos gerados. Por conseguinte, cabe ao Governo, juntamente o Ministério da Educação, desenvolverem palestras e campanhas acerca da importância da cultura para a formação do indivíduo e do país, por meio de verbas governamentais e parcerias com instituições educacionais, com a utilização das mídias sociais e meios impressos para a divulgação da ação, como também a participação dos educandos e seus respectivos responsáveis legais, a fim de que assim possa haver melhor conscientização no ambiente educacional e social.