A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, o acesso à cultura configura-se como obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que esse descuido acarreta exclusão comunitária, haja vista que a cultura reforça a valorização e o incentivo ao desenvolvimento da região, seja econômico, social ou educacional. A partir disso, é válido inferir que uma mudança lenta de mentalidade da população, bem como uma omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar a falta de conhecimento dos benefícios da cultura por parte dos citadinos. A cultura oferece prazer em ser, fazer e pertencer, sendo este o prazer sadio de viver e é uma força capaz de reverter muitos problemas, como os drogas e criminalidade dentro de uma sociedade. Ela fortalece os aspectos, identidade pessoal e social do indivíduo e condições de bem-estar. Sob essa ótica, cabe resgastar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psiquiatra Augusto Cury, o qual prevê que uma ação individual gera um impacto coletivo, ou seja, uma disposição pessoal para buscar meios culturais intensifica toda a relação comunitária. À luz dessa ideia, é necessário mitigar essa mazela em função desse incômodo.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas, por parte do órgão, de propugnar os direitos da população relacionada com arte, leitura e música, principais meios de cultura. Nesse sentido, de acordo com o filósofo renascentista Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre instituições públicas e privadas requer participação mútua de ambos, para que desenvolvam projetos que incentivam a leitura e outros movimentos artísticos. Assim sendo, faz-se necessária a ação governamental no acesso à cultura no Brasil.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e proporções solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas a trabalhos comunitários, por meio de redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional -, criar ficções engajadas para todas as idades, com o intuito de divulgar a importância da melhoria cultural brasileira. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, em parceria com o Ministério da Cidadania, responsável pela logística de cultura no território nacional, que incentiva e criem bibliotecas públicas em regiões precárias, como o Nordeste, visando a manutenção cultural do país. Somente assim conseguir-se-á retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.