A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 07/10/2021

A preocupação com a cultura no Brasil desembarcou em nossos solos latinos junto com a família real portuguesa, que trouxe em seus navios incontáveis livros, peças de arte e até mesmo músicos. Desde então toda a cultura depositada e/ou produzida aqui no Brasil se manteve nas mais altas classes sociais. Frutos de um hábito hereditário de não denominar arte aos mais pobres e mentes preconceituosas, desde os princípios nossos conteúdos culturais foram produzidos diretamente para a “nata” brasileira e de acesso exclusivo a estes também.

Em um país que sofre com o neocolonialismo e que projeta um “complexo de vira-lata”, é mantido costumes desde épocas imperiais. Assim, ao se cogitar em criar pólos culturais somente com a chegada da família real, a cultura não é pensada visando mais pobres, sendo a arte totalmente restrita à um pequeno grupo. Outros assim, com uma população majoritariamente analfabeta e sem políticas de educação publicas eficientes, boa parte das pessoas, mesmo com acesso a literatura e afins, não teriam como usufruir plenamente.

Ademais, é perceptível a segregação cultural, isto se dá de maneiras mais diretas, como ingressos mais caros fugindo da média brasileira do salário mínimo e a localização de teatros, salas de cinemas, entre outros em âmbitos elitizados e/ou distantes da periferia, ou de maneiras mais indiretas, como a restrição de conteúdos de caráter mais questionadores e reflexivos a locais frequentados pela classe alta ou de difícil acesso a moradores periféricos.