A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 09/10/2021
O Brasil é conhecido por ser um “caldeirão cultural”, com riqueza e variedade de culturas ao longo de todo o seu território. Apesar disso, é notório a defasagem no acesso a cultura entre diferentes classes sociais do país. Isso, certamente, evidencia a desigualdade social e a falta de investimento na cultura que enfrentamos nos dias atuais, além de ter como consequência um país sem cultura, visto que a maior parte da população não tem acesso a ela.
A princípio, é necessário entender que o Brasil é um país desigual e a distribuição do acesso a cultura - com base na região, na cor de pele e na renda - é um claro indicador dessa desigualdade. Segundo pesquisa do IBGE, a porcentagem de pessoas pretas ou pardas que vive em municípios sem cinema é cerca de 10% maior que a de pessoas brancas. Além disso, apenas 10% dos municípios brasileiros possui cinemas, majoritariamente em capitais.
Esses fatos são explicados pela clara deficiência brasileira no investimento na área cultural. Em primeiro de janeiro de 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro, o Ministério da Cultura (MinC) foi extinto e substituído por uma Secretaria da Cultura, como uma subserção do Ministério do Turismo. Essa substituição significou menor investimento na cultura no Brasil, posto que Secretarias recebem menos recursos que Ministérios e uma subordinação da cultura aos assuntos e investimentos ligados ao turismo.
Portanto, para que o Brasil faça jus a seu título de “caldeirão cultural”, é de extrema importância que todos tenham acesso a cultura. Assim, cabe ao governo federal destinar mais recursos para a Secretaria da Cultura, a fim de aumentar a porcentagem de espaços culturais nos municípios de todo o país.