A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, excogitando um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o acesso a bens culturais torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de ambientes públicos destinados à prática cultural, seja pela negligência governamental, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, nesse contexto, é importante ressaltar que a ausência de locais culturais destinados ao público de modo geral corrobora de forma intensiva para o entrave. Isso porque, muitas cidades carecem de investimentos na área socio-cultural, consequentemente, muitos brasileiros nunca frequentaram os espaços supracitados. Por fim, entende-se que o problema tende a persistir, caso não haja intervenção.
Ademais, nota-se que a omissão estatal é uma das causas da questão. Segundo a jornalista Mônicka Christi, a negligência governamental para com o povo na observância e cumprimento de sua obrigação quanto aos direitos do cidadão é uma afronta desrespeitosa à lei e à justiça. Nessa lógica, se tratando de diversas matérias, mas, principalmente, no que tange a dificuldade de tornar a cultura brasileira acessível a todos, percebe-se um total despreparo e inércia por parte do Estado. Isso porque não há nenhum tipo de educação ou preparação social em relação à questão, ocasionando diversas consequências da qual o próprio Estado não demonstra competência para solucionar. Sendo assim, é inaceitável que um país, que detém uma das maiores taxas de impostos do mundo, não tenha planos e meios para erradicar o problema.
Portanto, são essenciais medidas para minimizar o problema. Para isso, compete ao Governo Federal — por ser o responsável por esse impasse — disponibilizar recursos, por meio da definição de uma agenda econômica que democratize o acesso à cultura para as regiões menos favorecidas, a fim de melhorar e ampliar o alcance a bens culturais. Ao fazer isso, o Brasil conseguirá, por fim, tornar popular o acesso cultural.