A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 08/10/2021

‘’Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência, mas sim pela sua cultura’’. A frase do sociólogo brasileiro Herbert de Sousa, o Betinho, muito tem a ver com a relação entre as pessoas e sua interação com equipamentos culturais no Brasil. Entretanto, no país, a democratização do acesso à cultura ainda encontra empecilhos, sejam eles por parte do Governo, que não trabalha o suficiente para facilitar o contato com a cultura, seja por parte da escola, que não estimula o aluno a entrar aproximar-se de bens culturais. Nesse contexto, deve-se analisar como a ineficiência do Estado e a omissão escolar colaboram para o afastamento do brasileiro da cultura. Mormente, observa-se que a democratização das manifestações culturais é apenas uma utopia. Embora existam diferentes tipos de apresentações artísticas, tanto na dança como no cinema, é inegável como elas estão unicamente em grandes centros urbanos, e dificilmente chegam em ambientes suburbanos, além disso, os preços para frequentar esses lugares são demasiados para um cidadão de classe média e pobre, por exemplo. Dessa maneira, é possível agregar o pensamento do filósofo Confúcio: “A cultura está acima da diferença da condição social”. Além disso, atrelada ao desinteresse estatal em promover a cultura, a postura omissa de parte das escolas públicas brasileiras também é um empecilho para a democratização do acesso à cultura. Isso decorre da matriz curricular atual, que privilegia as disciplinas tradicionais e não prevê atividades culturais, como visitações a galerias e aulas sobre literatura e artes plásticas. Hoje, lamentavelmente, é comum a escola limitar-se a ensinar o conteúdo que é considerado ‘‘relevante’’ para o vestibular e excluir da aula tópicos como cinema e música, que poderiam aproximar os jovens de itens culturais. Por consequência de tal exclusão, o indivíduo cresce e vê a cultura e a arte como algo pouco interessante. Dessarte, vê-se como a cultura é importante para uma sociedade e a sua democratização é de suma relevância. Portanto, para que os movimentos culturais se manifestem em todos os ambientes, urge que o Ministério da Cultura invista na criação de programas sociais que viabilizem a música, a dança e o teatro em áreas periféricas, por meio de incentivos aos artistas da própria comunidade. Bem como, para que a cultura não se torne somente um valor comercial, mas também social, é necessário que os meios midiáticos produzam campanhas que manifestem o mau uso da indústria cultural como meio de gerar lucro e assim fazer valer o pensamento de Confúcio. Ademais, o Ministério da Educação deve incluir visitas a museus e aulas de história da arte no currículo do ensino médio e fundamental. Assim, o acesso à cultura no Brasil poderá finalmente ser mais democrático e instigante.