A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 23/10/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a democratização do acesso à cultura torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de investimento público, seja pela falta de interesse da população, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, nesse contexto, é importante destacar que a falta de políticas públicas corrobora de forma intensiva para o entrave. Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um de seus discursos, que a política é serva do povo e não o contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma inconformidade sobre quando o assunto é a democratização do acesso à cultura e a atuação do Estado brasileiro, no sentido de que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve o povo com ações, planos e metas públicas que atuem na questão abordada, fazendo com que sua resolução seja quase utópica. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Além disso, também, pode-se ressaltar que a influência dos aspectos socioculturais tem papel importante na perpetuação do problema. Nessa lógica, pode-se citar o sociólogo francês, Émile Durkheim, que afirma que o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela. De fato, a ação do indivíduo referente a democratização do acesso à cultura no Brasil resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que, juntamente com os altos preços a se pagar para entrar a esses espaços culturais, há um descaso de interesse da população. Assim, urge que a base sociocultural seja revista para que o comportamento do indivíduo contemporâneo mude.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, cabe ao governo brasileiro diminuir o ingresso aos espaços culturais (cinemas, teatros, galerias…), por uma tomada de decisão na câmara da legislação, além de campanhas públicas em benefício ao tema, com o intuito de melhorar a democratização o acesso à cultura.