A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 16/11/2021
“Amor por princípio, ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progesso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a democratização do acesso à cultura no Brasil - grave problema a ser combatido pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.
A princípio, é interessante pontuar a negligência do Estado como uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso à cultura é um direito social. Nesse sentido, infere-se que a democratização do acesso à cultura no Brasil é um desses direitos, pois é um pilar fundamental da democracia respeitar a Carta Magna da nação. No entanto, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, uma vez que grande parcela da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento é motivado pela falta de investimento do governo na cultura, já que segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), 70% dos indivíduos brasileiros nunca assistiram a uma apresentação de dança. Sendo assim, é inadmissível a ineficácia do governo na defesa das garantias básicas da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil na falta de empatia e no individualismo. Isso é devido ao fato de que os preços de livros e projetos culturais são muito caros para a realidade das classes mais baixas. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a impossibilidade das classes mais carentes de terem contato com a cultura, pois os livros vendidos no mercado nacional têm preços exorbitantes, segregando grande parte da sociedade. Assim, essa liquidez que influi sobre a democratização do acesso à cultura no Brasil, acaba se tornando um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, são necessárias medidas capazes de solucionarem o problema. O Estado - por intermédio do Ministério da Cultura e do Congresso Nacional - deve criar soluções práticas e efetivas (como por exemplo: a criação de bibliotecas bem estruturadas e teatros públicos acessíveis), a fim de reparar esse atraso histórico. Somente assim será consolidado um Brasil em que se preza a harmonia social e o progresso.