A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 19/01/2022

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática, possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, indivíduos mais carentes compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao acesso à cultura, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender essa demanda. Nesse contexto, torna-se evidente a carência de estruturas socioculturais, bem como a compreensão deturpada da função social deste.

O filosofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito ao respeito e a consideração por parte do Estado. Nessa lógica, é notável que o poder publico não cumpre seu papel quanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona aos moradores de áreas isoladas como por exemplo periferias; acesso á cultura com a qualidade devida, o que caracteriza um irrespeito descomunal com esse público. A lamentável condição na qual são submetidos essa parcela populacional é percebida no déficit deixado pelo sistema educacional vigente no país, que revela o despreparo da rede de ensino, no que tange á trabalhos socioculturais, dentro e fora do âmbito escolar; de modo á causar o sentimento de baixa autoestima e irrelevância no individuo perante ao Estado.

Idem, outra dificuldade enfrentada pela população periférica para ter acesso a cultura se dá na herança de elitização cultural, que oprime a diversidade cultural brasileira, que gera uma letargia social nesse aspecto. Esse pré-julgamento produz na sociedade concepções errôneas a respeito do papel social da cultura, como consequência do descumprimento dos deveres constitucionais do Estado, as famílias– acomodadas de pouca instrução– alimentam a falsa ideia de que a cultura é de cunho irrelevante na formação do cidadão quanto para a sociedade, o qual afasta a busca por esses direitos assegurados por lei e neutraliza a relevância que possuem.

Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições socioculturais, proporcione para as populações de comunidades, eventos com palestras e amostra de diversas culturas nacionais, mediante a implementação de oficinas em pontos estratégicos nas comunidades, afim de gerar maior autoestima e conhecimento para o indivíduo. É imprescindível, ainda que o Estado sancione leis de politicas afirmativas, com por exemplo a criação de cotas para produtos culturais nacionais nos principais cinemas, teatros, museus, entre outros. Só assim usufruiremos de um Brasil justo e abundante em cultura.