A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 03/09/2022

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi uma manifestação artística, na qual os artistas envolvidos propunham uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias e esperavam o devido subsídio à sua arte. Dessa maneira, em consonância com a realidade da sociedade brasileira, ocorre a falta de investimento para relembrar o passado que formou a história do Brasil e a carência de um sistema que permita o acesso a toda população.

Nessa perspectiva, a vinda da Família Real para o Brasil em 1807 proporcionou o desenvolvimento das cidades, arte, educação, imprensa, e principalmente, um grande incentivo à cultura do país com o Museu Nacional no Rio de Janeiro. Infelizmente, em 2018, este veio a sofrer um incêndio e importantes artefatos e documentos da história do Brasil se perderam nas chamas. Contudo, a falta de investimento, comparada a dois séculos passados, para recuperar o que se perdeu é escassa, visto que não traz fins lucrativos para o Governo.

Paralelamente à falta de subsídio à cultura brasileira, surge a carência de um sistema de acesso igualitário eficiente. Assim, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão; ou seja, a produção cultural não deveria ser uma barreira à inclusão social. Em vista disso, observa-se que questões básicas de direito à cultura e à educação não são garantidas à sociedade. Consequentemente, a qualidade do ensino nas escolas é afetada e causa a alienação das pessoas em formação.

Fica exposto, portanto, a necessidade de medidas para uma sociedade que valorize a sua cultura e preserve-a. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de verbas públicas, investir nos museus municipais e nacionais a fim de preservar os artefatos e demais acessórios do passado da sociedade brasileira, e ainda, promover palestras nas escolas a respeito da importância da produção cultural. Para assim, bem como na Semana de Arte moderna, o Brasil não perder sua história.