A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 10/11/2022
O filósofo brasileiro Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional, mas também para a nação, que no contexto hodierno, enfrenta significativos estorvos para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, o acesso à cultura no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Esse lastimável panorama é calcado na inoperância estatal e tem como consequência a desvalorização da cultura nacional.
De inicio há de se constatar a débil ação do Poder Público enquanto mantedora da problemática. Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã’’, defende a incubência do estado, em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação a democratização cultural no país. Esse cenário decorre do fato de que, uma parcela dos representantes governamentais, ao orientar por um viés individualista e visar a um retorno imediato de capital político, negligencia a conservação de direitos sociais indispensáveis, como o acesso desse indivíduo a espaços culturais. Logo, é notorio que a omissão do Estado perpetua a ascensão cultural no Brasil.
Ademais, vale ressaltar que o processo de globalização hierarquizou a transmissão de valores culturais, assim houve a padronização dos modos de ser dos indivíduos com base em uma referência dominante. Paralelamente, essa ideia interage com o termo cultura de massa, criado pela escola de Frankfurt, a qual é gerada na perspectiva de apenas um grupo e visa apenas o lucro. Por conseguinte, os valores locais e nacionais são sucumbidos e a população não consegue ter acesso à eles.
Depreende-se, portanto, que é mister a atuação governamental no acesso a cultura no Brasil. Assim, a fim de intervir nessa pespectiva, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente ao Ministério da Cultura, elaborar projetos culturais afim de garantir o consumos dos bens de cultura nacional. Tal ação deverá ocorrer por meio de secretárias estaduais e municipais. Somente assim, com a conjuntura de tais ações, o avanço e a prosperidade do país serão observados.