A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 01/11/2023

A Constituição Federal de 1988 assegura os direitos e o bem-estar da sociedade, de modo a atingir a harmonia e a equidade social. Entretanto, os desafios da democratização do acesso à cultura no Brasil vão contra os direitos almejados pela Constituição Cidadã, representando um obstáculo de grandes proporções. Isso ocorre devido à uma implementação de uma cultura capitalista em consonância com a desigualdade social, o que gera empecilhos.

Em primeiro plano, é necessário destacar que o capitalismo promove uma comercialização da cultura, resultando em uma diminuição de sua expressão como meio artístico se tornando um produto. Diante disso, segundo o filósofo Theodor Adorno, “A indústria cultural nos treina para o esquecimento”. Sob esse viés, observa-se que essa indústria cultural gera obras superficiais como meios de entretenimento que impedem a possibilidade de uma reflexão crítica da sociedade, o que leva à alienação e perda de identidade. Exemplificando essa situação, tem-se o TikTok, que por meio de tendências diárias ou semanais distrai a população dos problemas do mundo com vídeos de curta duração que muitas vezes nada agregam na formação da identidade social do indivíduo.

Ademais, é válido ressaltar que a desigualdade social forma uma barreira que impossibilita pessoas possuirem acesso cultural, o que impede a cidadania. Acerca disso, de acordo com o jornalista Barão de Itararé, “Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes”. Nessa lógica, a disparidade entre indivíduos no âmbito cultural os diferencia, de modo que impacta negativamente na aprimoração intelectual dos menos favorecidos. Assim, uma situação que ilustra isso é o acesso a espaços destinados à arte, como cinemas, museus e teatros, sendo que esses geralmente são frequentados por uma população com maior capital, evidenciando a desigualdade e a falta de acesso cultural aos mais pobres.

Em suma, medidas são necessárias para combater esse problema. Portanto, o Ministério da Cultura, órgão responsável por questões culturais, deve, por meio de campanhas públicas apoiadas pela Lei Rouanet , promover eventos culturais reflexivos em espaços públicos, com o intuito de democratizar o acesso à cultura. Enfim, a partir dessas ações, o Brasil estará mais perto dos ideais da Constituição.