A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 10/10/2024
“Não troco meu “oxente” pelo “ok” de ninguém”. Em sua fala, o poeta Ariano Suassuna, enfatiza a necessidade de valorizar a cultura da sua região. Fora desse contexto, entretanto, o reconhecimento da diversidade cultural do país não é vivenciada pelos brasileiros, uma vez que o acesso à cultura no Brasil não é democratizado e valorizado. Diante desse cenário, é importante analisar a carência de investimentos do Estado e a manipulação midiática como alguns dos fatores limitantes para a plena democratização do acesso à cultura pelos brasileiros.
Em um primeiro momento, a carência de investimentos do Estado em projetos culturais restringe a democratização do acesso à cultura no Brasil, visto que impede o consumo de bens culturais pelas classes menos favorecidas. Para a historiadora Lilia Schwarcz, em sua teoria do Patrimonialismo, os políticos gerem a máquina pública como um bem privado, ou seja, visam os próprios interesses em detrimento do bem-estar da população. Com isso, investimentos públicos para a cultura são desviados para outras áreas de interesse da minoria governante. Em razão disso, projetos culturais recebem pouca verba do Estado, o que impede a sua atuação em diversos bairros do país e, consequentemente, restringe o consumo daquele bem para uma pequena parte da população.
Em um segundo instante, a manipulação midiática é uma das problemáticas associadas à falta de democratização no acesso à cultura no Brasil, dado que os meios midiáticos, em prol dos interesses de uma minoria, manipula a população ao selecionar que tipo de cultura tal grupo social deve consumir, alienando-os. Tal ideia retratada pela intelectual Marilena Chauí desestimula o acesso igualitário à cultura no Brasil, o que, em consequência, os tornam alheios à diversidade cultural do país.
Portanto, a carência de investimentos do Estado e a manipulação midiática são alguns dos fatores limitantes para a plena democratização do acesso à cultura no Brasil. Posto isso, cabe ao Ministério da Cultura, por meio da criação de uma diretriz, implementar projetos culturais em parques públicos do país. Além disso, é dever dos meios midiáticos, como o Instagram, relatar ao usuário os interesses por trás de suas postagens. De modo que o “oxente” seja democratizado.