A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 23/10/2024
A Constituição de 1988 reconheceu e valorizou a diversidade cultural do Brasil, tornando a cultura um direito de todos e um dever do Estado, incentivando a preservação do patrimônio cultural material e imaterial, promovendo a inclusão e a valorização das diferentes expressões culturais da nação. Entretanto, ainda é possível ver o atraso e a falta de consistência no que tange o acesso igualitário à cultura. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só pela falta de investimentos públicos, mas também pela alienação tecnológica-cultural.
Deve-se pontuar, de início, a influência do Estado- e de suas responsabilidades- na inclusão cultural no país. De acordo com Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais - configuradas como zumbis - perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Nesse sentido, descrito como Zumbi por Bauman, instituições não conseguem se adaptar às necessidades contemporâneas o que, consequentemente, perpetua um modelo de exclusão devido à precariedade da infraestrutura cultural.
Ressalta-se, ademais, a alienação no âmbito tecnológico e cultural como fator no planejamento de distribuição e acesso igualitário das expressões culturais. Tendo em vista o filme “Wall-E”, é possível notar o processo de dependência execessiva aos meios virtuais, no qual as pessoas se desconectam de sua própria corpoalidade e de seus ambientes naturias, com uma vida mediada quase exclusivamente por interfaces digitais. Dessa forma, em um mundo cada vez mais digital, as instituições culturais muitas vezes carecem de inovação tecnológica e o que limita o acesso em um país onde o uso da internet cresce como meio de consumo cultural .
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no decorrer da construção de meios para garantir o acesso igualitário ao lazer no Brasil. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Cultura deve criar e implementar políticas públicas, por meio de promoção de eventos culturais em todas as regiões do país, com atenção especial às áreas menos favorecidas, com objetivo de garatir acesso universal a cultura. Além disso, deve promover a inclusão digital e garantir que a população tenha acesso a plataformas que disponibilizem tais conteúdos culturais.