A democratização do acesso ao serviço de odontologia
Enviada em 15/09/2025
Acesso aos serviços odontológicos: deficitário e mal distribuido
Poucas clínicas odontológicas públicas, má distribuição de dentistas em território nacional, ausência de políticas públicas. Esses são alguns adjetivos negativos que podem retratar o hodierno cenário brasileiro no que tange ao acesso aos serviços de odontologia. Por isso, é fundamental que sejam analisadas não só a ineficácia da prestação do serviço público, como também a má distribuição desses profissionais.
Na obra “A República”, o filósofo grego Platão fala sobre uma cidade ideal, onde a harmonia social deriva do pleno gozo e exercício entre seus habitantes. Entretanto, essa máxima filosófica não é colocada em prática, haja vista a condição precária do serviço público de saúde bucal, tanto nas áreas urbanas, como nas regiões interioranas. A exemplo disso, tem-se a média nacional deficitária, com apenas 22% das UBS (Unidade Básica de Saúde) com médicos, enfermeiros e dentistas, segundo o “Jornal da USP”, em matéria publicada em 2025. O que impacta siginificativamente de forma negativa a prestação desse serviço público.
Além disso, vale ressaltar também a questão da desigual distribuição entre esses profissionais entre a rede pública e a privada. Segundo o Blog “Golden Cross”, em postagem realizada em 2024, 7 em cada 10 dentista estão alocados na rede privada de atendimento ao público, sejam por pagamentos convencionais através de transações instantâneas, ou por serviços de planos de saúde. Ou seja, mais da metade da população brasileira têm que pagar para ter acesso a esse serviço, o que passa a comprometer significativamente a gestão financeira familiar.
Infere-se, portanto, que a democratização do acesso ao serviço de odontologia no Brasil decorrem não só da má prestação do serviço público, como também da desigual alocação desses profissionais. Logo, compete ao Ministério da Saúde, ente federativo, por meio de políticas públicas, criar programas de assistência odontológica completa, com a finalidade de garantir o atendimento em sua totalidade, desde aos procedimentos de aplicação de flúor até a realização de procedimentos mais complexos, como a endodontia (tratmento de canal). Dessa forma, como efeito, tornaria mais igualitário o acesso aos odontólogos.