A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 27/02/2023

Próteses dentárias, abertura de canal, limpeza dentária. Esses e outros serviços odontológicos são necessários para as pessoas manterem sua higiene bucal. Entretanto, o acesso ao serviço de odontologia não está disponível a todos, mas apenas para parte da sociedade, por isso, não é democrático. Nesse sentido, é necessário analisar não só como o inércia social contribui para o problema, mas também a falha estatal.

Diante disso, vê-se que a inação do corpo social contribui para o problema. Nessa ideia, a autora Mariana Colasanti, em sua crônica “Eu sei, mas não devia”, defende que a sociedade se cala perante os problemas sociais e os naturaliza. Sob isso, é notório a incidência do pensamento da escritora na situação da falta de democracia para acesso efetivo dos serviços odontológicos, já que a maior parte da sociedade enxerga o problema como algo banal e, até mesmo, invisível, com escassos debates sobre como a falta dos serviços odontológicos é difícil para muitas pessoas. Com isso, há pouca pressão social no governo para mudança desse paradigma e, assim, há a banalização dessas mazelas como afirmado por Colasanti.

Além disso, é importante pontuar a negligência governamental como outro potencializador do revés. Para tanto, é oportuno rememorar os estudos de Thomas Hobbes, a partir dos quais o filósofo inglês afirma que é dever do estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda população. Tal concepção, todavia, não se aplica a conjuntura hodierna, pois as autoridades governamentais pouco atuam em ações que resolveriam o baixo acesso das pessoas a trabalhos de dentistas, tomando medidas como contratar mais dentistas para trabalhar em unidades públicas. Logo, enquanto a conduta do setor administrativa não mudar, essa terrível mazela perdurará.

Portanto, percebe-se que as causas do problema são sociais e estatais. Dessa forma, a Sociedade deve pressionar o governo para acontecer mudança dessa realidade. A partir disso, o governo, como órgão de poder executivo máximo, deve, por meio de verbas públicas, criar mais espaços de atendimento dentário e contratar mais dentistas. Desse modo, o intuito de tais medidas é buscar a democratização do acesso aos serviços de odontologia.