A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 20/04/2023

No livro “Olhos D`água”, de Conceição Evaristo, é apresentado em um dos contos a história de um garoto de rua que está com uma dor de dente enorme, de forma a levá-lo ao óbito. Ao sair do campo literário e observar a atual conjuntura brasileira, nota-se ainda dificuldades no acesso ao serviço de odontologia por uma parcela considerável da população. Dessa forma, é imprescíndivel analisar como a desigualdade social e a inoperância estatal agem como perpetuadores desse cenário nefasto.

Sob esse prisma, é relevante abordar como o desequilibrio social é a causa primária dessa problemática, Segundo o IBGE, um terço das famílias brasileiras recebem ao máximo dois salários mínimos. Nessa perspectiva, torna-se notório que as pessoas têm impassem em acessar ítens básicos de higiene bucal, como pasta e escova de dente, por conta da situação financeira, logo, ir em um dentista para muitos desses indivíduos é algo de outra realidade. Assim, é ináceitavel que esse quadro continue a perdurar.

Ademais, vale ressaltar como a ação do Estado para tornar acessível serviços de odontologia ainda é recente, Desse modo, para obter uma consulta odontológica o público muitas vezes enfrenta falta de equipamentos e materiais, demora para serem atendidos e, em alguns casos, precisam se locomover para outras cidades. Tal realidade se encaixa no conceito de cidadãos de papel, de Gilberto Dimenstein, apresentado na obra “O Cidadão de Papel”, em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Dessa maneira, apenas parte dos cidadãos têm usufruido dos seus direitos, o que demonstra uma inoperância Estatal que precisa ser investigada.

Portanto, é evidente que há obstáculos a serem superados para que haja a democratização ao acesso as atividades odontologicas. Destarte, o Ministério da Saúde, órgão responsável por cuidar do âmbito da saúde, deve investir na área de odontologia, por meio da contratação de profissionais para as cidades que estão em falta e da compra de equipamentos e materiais, a fim de que todos os cidadãos usufruam do direito a saúde, em especial a bucal. Assim, o conto de Conceição Evaristo não se aplicará mais a realidade brasileira.