A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 11/08/2023

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do acesso aos serviços odontológicos. Isso acontece devido à negligência estatal e a educação brasileira, fatos que culminam em preocupantes mazelas. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia.

Primordialmente, é necessário destacar a forma como parte do Estado costuma lidar com a falta de acessibilidade do atendimento odontológico no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para aplicação do artigo 6º da constituição Cidadã, que garante, entre tantos direitos, a saúde. Isso é perceptível seja pela pequena campanha de conscientização acerca da necessidade do serviço odontológico, seja pelo pouco espaço destinado às campanhas para aplicação de clínicas e consultórios odontológicos que possibilite o acesso para os cidadãos. Assim, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir a democratização do acesso ao serviço de odontologia para todos os brasileiros.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção da saúde bucal no Brasil, cerca de 18% dos brasileiros precisam do serviço odontológico e se torna uma parcela desvalorizada. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também, habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileira, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate ao estigma relacionados a falta de acesso ao serviço de odontologia na sociedade contemporânea.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para modificar esse panorama. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais de educação, promover debates e palestras dentro das escolas, por meio de verbas governamentais, que expliquem a importância de pessoas que sofrem esse estigma na consolidação dos direitos e da representatividade da comunidade dentro da sociedade brasileira, para que crianças e adolescentes tornem-se futuros adultos conscientes da importância da saúde bucal. Somente assim, a plena harmonia social sera alcançada.