A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 16/04/2025

Com um sorriso, muitas portas se abrem. No entanto, no Brasil, esse gesto simples ainda é privilégio de poucos. O acesso ao serviço de odontologia, apesar de ser um direito garantido pela Constituição, ainda é desigual, especialmente entre as populações de baixa renda. Esse cenário reflete tanto a má distribuição de recursos públicos quanto o alto custo dos tratamentos odontológicos particulares.

De acordo com dados do IBGE (2023), mais de 30% dos brasileiros não vão ao dentista há mais de três anos, sendo a maioria composta por pessoas das regiões Norte e Nordeste. Isso evidencia um problema estrutural: a concentração de profissionais e clínicas em grandes centros urbanos, enquanto regiões periféricas e rurais enfrentam escassez de atendimento básico.

Além disso, a saúde bucal ainda é vista como algo secundário. Muitas vezes, o foco dos programas públicos de saúde está voltado apenas para doenças mais visíveis, deixando de lado a prevenção e os cuidados odontológicos, que são fundamentais para o bem-estar geral da população.

Portanto, para tornar esse serviço mais democrático, é necessário que o Ministério da Saúde amplie os investimentos na Estratégia de Saúde da Família, incluindo profissionais de odontologia nas UBSs de maneira contínua. Também é importante criar campanhas educativas nas escolas e mídias locais, mostrando a importância da higiene bucal desde cedo. Por fim, pode-se estabelecer parcerias com universidades públicas para que estudantes de odontologia atendam comunidades em situação de vulnerabilidade, supervisionados por professores, como forma de estágio obrigatório.

Assim, com ações integradas, será possível garantir que o sorriso, além de símbolo de alegria, seja também reflexo de justiça social.