A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 19/04/2025

Em um episódio da animação Hora de Aventura, é mostrada a difícil jornada de Finn ao dentista, à medida que ele passa por diversos desafios apenas para conseguir um tratamento dental. Tal cenário repete-se na sociedade brasileira atual, de modo que as pessoas enfrentam muitas dificuldades para ter acesso ao serviço de odontologia. Assim, evidencia-se a elitização desse serviço e a precarização governamental da cobertura pública desse benefício popular, ao passo que o Brasil é o país com mais dentistas atuando e com a maior porcentagem populacional que tem a arcada dentária prejudicada, segundo o Uol.

A princípio, a Política Nacional de Saúde Bucal, prevista na Lei Orgânica da Saúde e sancionada em 2017, afirma a obrigatoriedade do acesso público à saúde bucal. Entretanto, estima-se que cerca de 44% dos brasileiros de classe baixa (renda de, no máximo, três salários mínimos) já possuíram ou possuem algum tipo de problema dental, de acordo com Vinicius Araújo, especialista em traumatologia bucomaxilofacial. Desse modo, revela-se a relação entre renda e saúde, criando um ambiente em que apenas os afortunados podem garantir sua saúde dental, o que gera problemas sociais, uma vez que a aparência está intrinsecamente ligada à autoestima, à atuação no mercado de trabalho e ao isolamento social.

Além de a elitização desses serviços causar problemas sociais profundos relacionados à aparência e ao julgamento, há a ausência de investimentos na área da odontologia pública, o que provoca precarização e impede a oferta de um serviço público previsto por lei à população necessitada. Dessa maneira, as pessoas são obrigadas a procurar clínicas baratas que não oferecem segurança, são insalubres e não contam com profissionais qualificados.

Em suma, a elitização dos serviços odontológicos no Brasil, aliada à falta de investimentos públicos, compromete o acesso à saúde bucal, especialmente para a população de baixa renda, o que agrava problemas sociais como baixa autoestima e exclusão. Para reverter esse quadro, é necessário que o Ministério da Saúde amplie os investimentos na odontologia pública, fortalecendo programas como o Brasil Sorridente, e promova ações educativas em escolas e comunidades. Assim, o direito à saúde poderá ser efetivado de forma mais igualitária.