A democratização do acesso ao serviço de odontologia
Enviada em 20/04/2025
No Brasil, a Constituição de 1988 assegura o direito à saúde como um dever do Estado e um direito de todos. No entanto, quando se observa o acesso à odontologia, percebe-se uma discrepância entre o ideal constitucional e a realidade social. A dificuldade de acesso a serviços odontológicos, especialmente nas camadas mais vulneráveis da população, evidencia um grave problema de desigualdade e negligência histórica.
De acordo com o IBGE, mais de 11% dos brasileiros nunca foram ao dentista, e entre os mais pobres, esse número ultrapassa os 20%. Isso se deve, em grande parte, à concentração de profissionais nas regiões urbanas e à baixa oferta de atendimento odontológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A ausência de políticas públicas eficazes contribui para a perpetuação de doenças bucais, que afetam não só a saúde física, mas também aspectos sociais e emocionais da vida do indivíduo.
Além disso, a saúde bucal ainda é socialmente subvalorizada, sendo vista como questão meramente estética. No entanto, problemas odontológicos podem comprometer funções básicas, como alimentação e fala, além de provocar dores crônicas e infecções graves. Nesse sentido, a filósofa Simone de Beauvoir afirmou que “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”, o que se aplica à naturalização da falta de acesso à odontologia, muitas vezes aceita pela população por desconhecimento de seus direitos. A educação em saúde é, portanto, fundamental para romper esse ciclo. A negligência institucional, aliada à falta de informação, consolida uma exclusão histórica que reforça desigualdades e compromete a dignidade humana.
Dessa forma, cabe ao Estado ampliar investimentos no setor odontológico do SUS e fortalecer ações educativas que promovam o acesso igualitário à informação e ao cuidado. A democratização da odontologia não é apenas uma demanda sanitária, mas uma questão de justiça social.