A democratização do acesso ao serviço de odontologia

Enviada em 24/04/2025

A Constituição Federal de 1988 estabelece que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. No entanto, quando se trata da saúde bucal, essa garantia ainda está longe de ser efetivada para toda a população. O acesso aos serviços odontológicos de qualidade permanece restrito, evidenciando um problema de desigualdade social e de falhas nas políticas públicas.

Um dos principais fatores que limitam esse acesso é a desigualdade socioeconômica. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), milhões de brasileiros nunca foram ao dentista, geralmente por não terem condições financeiras ou acesso a serviços públicos eficientes. Isso mostra como a saúde bucal, que deveria ser parte fundamental da saúde integral, é negligenciada no Brasil.

Além disso, a precarização da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) é um obstáculo. Muitos municípios sofrem com a falta de profissionais da área, materiais e infraestrutura adequada para atendimentos contínuos e especializados. Com isso, problemas simples se agravam e prejudicam a alimentação, a fala e até a autoestima dos cidadãos. Outro ponto importante é a ausência de ações educativas voltadas para a prevenção. A falta de campanhas nas escolas e comunidades impede a formação de hábitos de higiene bucal desde a infância, o que contribui para a manutenção desse ciclo de descaso.

Diante disso, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria com os governos estaduais e municipais, amplie os investimentos na odontologia pública, contratando mais profissionais e garantindo estrutura adequada nos postos de saúde. Paralelamente, o Ministério da Educação deve implementar programas de educação em saúde bucal nas escolas públicas, promovendo oficinas, palestras e acompanhamento preventivo. Dessa forma, será possível tornar o acesso à odontologia um direito efetivo, assegurado a todos os brasileiros — e não um privilégio de poucos.