A democratização do acesso ao serviço de odontologia
Enviada em 24/04/2025
No Brasil, o acesso à saúde bucal de qualidade ainda é um privilégio de poucos, mesmo sendo um direito garantido pela Constituição Federal de 1988, que define a saúde como um direito de todos e dever do Estado. A democratização do serviço de odontologia se torna, portanto, uma necessidade urgente para garantir qualidade de vida e cidadania. Nesse sentido, a teoria da justiça de John Rawls, que propõe a compensação das desigualdades por meio de políticas públicas, é um referencial importante para refletir sobre esse problema estrutural.
É evidente que há uma forte desigualdade no acesso aos serviços odontológicos. Enquanto as classes mais altas usufruem de clínicas privadas com tecnologia avançada, milhões de brasileiros dependem exclusivamente do SUS. Apesar de programas como o Brasil Sorridente, criado em 2004 para ampliar a cobertura odontológica, muitos municípios ainda sofrem com a escassez de profissionais, infraestrutura precária e longas filas de espera. Dados do IBGE mostram que uma parcela significativa da população nunca foi ao dentista, revelando o abismo entre o direito à saúde bucal e sua efetivação na prática.
Além disso, a falta de acesso a tratamentos odontológicos afeta não apenas a saúde física, mas também a autoestima e a inclusão social das pessoas. Problemas bucais podem comprometer a alimentação, a fala e até a empregabilidade de um indivíduo. Essa realidade remete à obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, que ilustra como a pobreza e a negligência estatal ferem a dignidade humana. Nesse contexto, torna-se essencial que o Estado amplie os investimentos em prevenção, levando ações educativas a escolas e comunidades, sobretudo nas regiões mais vulneráveis.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde fortalecer programas como o Brasil Sorridente e criar clínicas móveis que levem atendimento gratuito a áreas carentes. Além disso, as Secretarias Estaduais de Educação devem promover campanhas educativas sobre higiene bucal nas escolas, incentivando hábitos preventivos desde a infância. Essas medidas visam reduzir as desigualdades no acesso à odontologia e garantir mais dignidade e bem-estar à população brasileira.